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Custo zero não rende no mercado

September 28, 2011

É a mensagem de Costa Antunes, no Dia Mundial do Turismo: as viagens com um preço inferior ao valor real não têm espaço num destino como Macau. Os visitantes, diz, precisam de se convencer de que a qualidade tem um preço.

Sónia Nunes

Com o número de turistas a bater quase todos os recordes – em entradas e taxa de ocupação hoteleira – este Verão, João Costa Antunes, director dos Serviços de Turismo (DST) quer dar um passo à frente. “A nossa primeira preocupação agora é que tenham uma visita de qualidade”, diz. O investimento do Governo no sector vai concentrar-se na formação de profissionais e na melhoria dos serviços prestados.

A nova estrutura da DST, que conta desde ontem com mais seis chefias e dois departamentos (um de comunicação e relações externas; outro de formação e controlo de qualidade) traduz a orientação política para a indústria. Costa Antunes explica: “Há toda uma dinâmica nova, que queremos que se possa reflectir na importância da qualidade, que vai ser trabalhada em conjunto com as operadoras, associações e instituições de formação, de nível médio e superior”. O objectivo da rede é “contribuir para se possam estabelecer padrões de qualidade, quer ao nível do ensino, quer da actuação profissional”.

O director dos Serviços de Turismo destaca que o incidente de sábado, que envolveu uma excursão organizada por uma agência de viagens de Shenzhen e mais de 360 visitantes que foram informados já em Macau que o itinerário tinha sido cancelado, “não é uma situação normal”. O Governo garantiu o regresso a casa dos turistas e Costa Antunes não tem dúvidas que “essas mesmas 360 pessoas saíram com boa impressão de Macau e vão querer voltar noutras condições. “O que nós queremos é que o nosso destino seja respeitado”, frisa.

Como? Costa Antunes reitera a intenção de estabelecer “contactos mais estreitos” com os parceiros do mercado regional, para que os turistas que cheguem a Macau saibam ao que vêm e não entrem em conflito com as agências e guias turísticos. “É necessário fazer uma campanha junto dos visitantes. As pessoas que vêm visitar Macau e outros destinos, têm de pensar que terão a qualidade de serviço em consequência daquilo que vão investir nesta visita”, entende o director da DST, na senda do que tem vindo já a ser defendido pelos operadores locais.

“Será necessário as pessoas convencerem-se de que as viagens a custo zero ou inferior ao seu valor não têm oportunidade de se desenvolverem se pretendemos que Macau seja um destino de qualidade”, insiste Costa Antunes, que diz também que os turistas precisam de ter “consciência” quando compram excursões na origem.

Em Agosto, os Serviços de Turismo e a Administração Nacional do Turismo da China selaram um texto que valida a regulamentação conjunta do mercado de visitantes do Continente e é apresentado como um instrumento para melhorar a qualidade dos serviços de turísticos. O documento estabelece as regras mínimas para os contratos entre as agências de turismo que organizam e recebem as excursões do Interior da China com destino a Macau. Obriga, por exemplo, a que as duas partes confirmem os itinerários das viagens (alojamento, refeições, transportes e, sobretudo, o local e a frequência de compras) e indiquem se há actividades opcionais sujeitas a pagamento adicional. Estabelece-se também que as agências não podem organizar excursões com um preço mais baixo do que o custo de serviço.

“Há um conjunto de procedimentos práticos a fim de facilitar a gestão operacional das excursões em Macau e que foi aceite pelas entidades oficiais de turismo da China, pela DST, agências e associações”, destaca Costa Antunes. “Até agora, não temos conhecimento de ocorrências que levem a suspeitar que estes pontos não estão a ser cumpridos em Macau”, acrescentou.

Em 2010, Macau recebeu quase 25 milhões de turistas. Este ano e até Agosto, a DST contou cerca de 18,5 milhões de visitantes, o que significa uma subida de dez por cento. Apesar da abertura de novos hotéis, a taxa de ocupação hoteleira foi, em Junho, superior a 90 por cento. “Em quantidade de turistas e visitantes, Macau está a crescer. O que queremos agora é que ter pessoas preparadas para os receber”, termina Costa Antunes.

Regulamento pronto este ano

O director dos Serviços de Turismo estima que o projecto do regulamento administrativo que vai impor novas regras à indústria dos hotéis, restaurantes e bares seja concluído este ano. O diploma esteve em consulta pública até 31 de Agosto: “Ouvimos todas as entidades consultadas. Estamos agora a aferir e a compor todas as opiniões, que serão depois dadas a conhecimento público”, contextualiza João Costa Antunes. Findo o processo de auscultação, haverá “uma versão final” do texto, a ser submetida ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. O documento a consulta propõe o agravamento das multas para os estabelecimentos que operarem sem licença e esclarece que os menores de 16 anos não podem frequentar bares. Prevê também que seja proibido abrir espaços de diversão nocturna em edifícios destinados, total ou parcialmente, a uso residencial. O objectivo da norma é “responder aos protestos dos residentes ao ruído e desacatos causados pela actividade dos bares durante a noite” – mas a indústria tem algumas reservas, já que não se sabe o que vai acontecer, por exemplo, aos karaokes do NAPE.

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