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Universitários temem Montanha

September 23, 2011

O orçamento detalhado do projecto da Universidade de Macau (UMAC) para a Ilha da Montanha vai ser apresentado em meados do próximo ano. O compromisso foi assumido ontem pelo reitor da instituição de ensino, Zhao Wei, que recebeu os pro-democratas numa reunião à porta fechada. Mas os estudantes têm outra preocupação: temem que haja menos liberdade académica e de expressão, apesar das garantias de que o novo campus vai estar sob jurisdição da RAEM. O cancelamento do fórum sobre o artigo 23, em 2008, não ficou esquecido.

A transparência nas contas do projecto da UMAC para Hengqin, que tem um custo estimado em seis mil milhões de patacas, era o principal ponto na agenda da Associação Novo Macau para o encontro com Zhao Wei. Segundo Scott Chiang, vice-presidente do organismo, o reitor explicou que os detalhes do orçamento estão a ser preparados pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. As obras deverão ficar prontas no próximo ano.

Zhao Wei, ainda na voz de Scott Chiang, reiterou que a transferência do campus visa a afirmação da UMAC como universidade de nível internacional, através de um plano de 20 anos para atrair alunos locais de topo. A Novo Macau faz votos de “sucesso” à universidade e diz também esperar que o espírito humanista da instituição se mantenha intacto.

A UMAC sublinha que o novo campus vai continuar sob jurisdição de Macau, mas Lei, estudante do Departamento de Chinês, tem as mesmas hesitações que o presidente dos pro-democratas, Jason Chao. “Os nossos pés vão continuar a estar no Continente e tenho dúvidas de conseguir usufruir a 100 por cento do direito à liberdade académica e de expressão em Hengqin”, diz Lei. E acrescenta: “Sobretudo se, nos nossos discursos ou pesquisas, lidarmos com questões políticas sensíveis”.

Ainda com a UMAC na Taipa, recorda, o exercício da liberdade de expressão foi já questionado. Estávamos em 2008 e instituição decidiu, para surpresa dos alunos, cancelar um fórum sobre o artigo 23º da Lei Básica, relacionado com a segurança e a defesa do Estado. “O plano inicial era convidar os deputados Ng Kuok Cheong [da Novo Macau] e Leung Kwok-hung [de Hong Kong, conhecido por ‘Long Hair’ e um dos fundadores da Liga dos Social Democratas] para participarem no debate”, conta Lei. “Mas, mais tarde, o fórum foi cancelado, de repente e com argumentos vagos, do género ‘o espaço já está reservado’”.

Com o episódio ainda fresco na memória, o estudante não está muito optimista em relação à liberdade de expressão que vai existir em Hengqin. Lam, também aluna da UMAC, partilha da mesma opinião.  “Continuamos a ter alguma preocupação de que o direito de expressão e de participação em acções sociais sejam afectados, ou até mesmo eliminados, no novo campus”, diz. A estudante dá o mesmo exemplo de Lei: “Não sabemos se vamos ser impedidos de fazer pesquisas sobre questões políticas sensíveis. O fórum sobre o artigo 23 foi cancelado no campus de Macau e podemos imaginar que um incidente deste género seja pior em Hengqin”.

Lam e Lei não fazem parte da Novo Macau, e mostram-se ainda insatisfeitos com uma brochura que chegou a casa dos alunos da UMAC no ano passado e que fornece instruções como “ter respeito pelos professores”, “não copiar nas aulas” ou “ser pontual em todos os eventos”. “É um desperdício de recursos imprimir estas regras do senso comum. Acho que a universidade subestima demasiado a educação que recebemos nas escolas primária e secundária”, lamenta Lam. S.L.

 

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