Férias solidárias pelas aldeias chinesas
Uma organização não-governamental do Continente lançou um projecto direccionado para os turistas, que junta o útil ao agradável: visitar zonas rurais da China e ajudar escolas necessitadas.
Stephanie Lai
Seja Verão ou Inverno, o que não faltam na China são turistas. Os amantes das caminhadas, das paisagens a perder de vista e do contacto com a realidade rural encontram no Continente o cenário ideal para uma temporada de mochila às costas.
Aproveitando a presença de tantos e tão bem-intencionados visitantes, uma ONG chinesa lançou a sugestão: por que não aproveitar as férias para ajudar as escolas locais? Quer seja dando uma aula, organizando uma actividade ou oferecendo os materiais que tanta falta fazem às milhares de pequenas escolas espalhadas pelas aldeias das províncias chinesas.
A informação está toda disponível em www.1kg.org, mas apenas em chinês. No entanto, basta carregar na bússola do lado esquerdo para ver o mapa do país, onde estão assinaladas as escolas necessitadas. É possível verificar qual a situação em que se encontra um estabelecimento de ensino em específico, que tipo de material necessita ou que aulas seriam bem-vindas.
Desde que foi fundada em 2004, a 1kg.org – o nome vem do slogan “mais um quilo às costas” – já envolveu 1288 escolas das zonas mais remotas e pobres da China. A plataforma pretende passar a mensagem de que todos podem contribuir para melhorar o estado da educação nas zonas rurais do país.
A ONG funciona sob o princípio da partilha de experiências, por isso incentiva os participantes a contarem o que viram e quais foram as suas impressões. E se muitos falam de momentos recompensadores e felizes, outros apontam também as dificuldades de que foram testemunhas. As instalações, falta de professores e os baixos salários que recebem são os problemas que os visitantes mais referem.
“Mesmo como professor substituto, Luo só ganha 300 yuan por mês para dar aulas a alunos de três anos diferentes”, conta um dos viajantes, que esteve numa escola de Qianxinan, em Guizhou. “O valor já é um progresso, comparado com os originais 24 yuan, mas continua a ser uma soma miserável, principalmente para um professor com 13 anos de experiência”, pode ler-se no site da 1kg.org.
A zona mais perto de Macau marcada no mapa da ONG é a província de Guangdong, onde existem 34 escolas a precisar de ajuda.
