Guerra de anúncios
A Reolian subiu a fasquia e a Transmac reagiu, tudo com publicidade nas páginas do jornal Ou Mun. A primeira aumentou salários para captar motoristas e perdeu o apoio da segunda nas rotas que opera.
Stephanie Lai
A Transmac anunciou ontem, através de publicidade paga na imprensa, que não pretende continuar a apoiar a concorrente Reolian nas carreiras de autocarro com os números 1, 3 e 3A. A operadora diz que está em curso uma “caça” aos motoristas e alega que perdeu nos últimos dias pessoal necessário à manutenção dos itinerários que serve – ao todo dez profissionais.
No anúncio, publicado no jornal Ou Mun, a Transmac informou o público de que não tem motoristas suficientes para apoiar as operações do consórcio que integra a francesa Veolia e a H.Nolasco porque “os recursos humanos não acompanham o plano de operações de autocarros e há uma caça de profissionais irrazoável no mercado de condutores de autocarros”.
O aviso da Transmac foi publicado um dia depois de a Reolian ter colocado no mesmo diário um anúncio de recrutamento de motoristas experientes. Para condutores com entre quatro e sete anos de experiência de condução de veículos pesados, a oferta de salário-base é de 15.006 patacas, e para aqueles que tenham mais de sete anos de experiência a oferta é de 17.006 patacas.
Além disso, a companhia promete um valor bónus na contratação, que vai de 70 mil a 100 mil patacas, para os condutores com entre sete a dez anos de experiência de condução.
“A companhia está disposta a adoptar o nível salarial mais alto do sector – 50 por cento acima do que prometeu durante o concurso público – como forma de atrair motoristas mais experientes para a nossa empresa, ainda que estejamos a operar com custos desvantajosos”, anunciou a Reolian.
Após a publicação, pelo menos 60 condutores abordaram a operadora, sendo mais de três dezenas provenientes da Transmac e TCM, de acordo com Stephen Chok, director da Reolian.
Mas a Transmac, que alega ter perdido em apenas dois dias uma dezena de motoristas por causa do anúncio, afirma agora estar impossibilitada de acompanhar as operações da rival. Desde o passado sábado que a companhia não opera as carreiras 1, 3 e 3A da Reolian em horas de ponta.
“Para manter a frequência de corridas conforme o acordado, temos de suspender o apoio à Reolian. Já tínhamos avisado a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego que o faríamos caso começássemos a perder condutores”, explicou ontem a gerente-geral da concessionária de transportes públicos, Chan Hio Ieong.
A Reolian já reagiu ao anúncio da concorrência, admitindo que as suas operações deverão ser afectadas pela perda do apoio durante os próximos dias. Mas a companhia acredita que será possível fazer face ao aumento do número de passageiros com o reinício das actividades lectivas nas escolas de Macau atendendo aos candidatos que conseguiu recrutar com a publicação do anúncio do último sábado.
Entretanto, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) avisou que poderá vir a fazer nova redistribuição de rotas de autocarros. Lo Seng Chi, chefe do departamento de gestão de tráfego do organismo, manifestou preocupação com a forma como as operadoras têm vindo a recrutar motoristas e garantiu que a DSAT estará atenta.
