Macau mais violento
Os crimes de sequestro e as ofensas graves à integridade física aumentaram nos primeiros seis meses deste ano, em comparação com 2010. O secretário para a Segurança promete reforçar as patrulhas junto dos casinos.
Sónia Nunes
Os dados são do secretário para a Segurança, Cheong Kuok Va: a criminalidade violenta aumentou 6,5 por cento no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2010, com um registo de quase 300 delitos. Os casos de sequestro e de ofensas graves à integridade física foram os que mais subiram e estão relacionados com as actividades de jogo. Mas houve menos suspeitos presentes ao Ministério Público.
Entre Janeiro e Junho, indicou Cheong Kuok Va, as autoridades detectaram mais 18 casos de criminalidade violenta do que no primeiro semestre do ano passado, num total de 297 ocorrências: houve 51 sequestros (mais 20 do que em 2010) e 11 delitos de ofensas graves à integridade física (mais sete, o que significa um aumento de 175 por cento). Os casos de ameaça também subiram (22,2 por cento, com 16 crimes) e registaram-se dois homicídios, cujos autores foram já identificados pelas autoridades.
“Estes sequestros têm que ver com mais actividade nas proximidades dos casinos. Bate-fichas, por exemplo. A Polícia Judiciária vai combater este tipo de crime com mais policiamento [nas imediações dos espaços de jogo]”, destacou o secretário para a Segurança, que fez ontem um balanço sobre a criminalidade no território. Apesar do alerta, os crimes praticados em casinos baixaram – de 430, nos primeiros seis meses do ano passado, para 358 entre Janeiro e Junho deste ano. As autoridades destacam os crimes de usura (70 casos), furto por carteiristas (43) e de fichas (32).
No balanço geral, a actividade criminosa aumentou 4,3 por cento e totalizou cerca de seis mil delitos. Cheong Kuok Va está preocupado com a subida dos furtos: mais 13 por cento do que no primeiro semestre de 2010, que se traduziram em 2220 ocorrências. “Vamos fortalecer as acções preventivas e repressivas, assim como a coordenação da força policial e o desenvolvimento de operações anti-fruto”, garante o secretário. Os crimes contra o património registaram uma subida de 8,3 por cento, com mais 17,7 por cento de delitos de usura. Os casos de extorsão mantiveram-se: foram 22. Já os roubos e crimes de dano desceram 3,9 por cento e 2,2 por cento, respectivamente.
Ainda no sentido decrescente, os delitos contra a vida em sociedade baixaram 11,4 por cento, com os crimes de falsificação de documentos a somarem-se em 123 casos (menos 10,9 por cento) e a passagem de moeda falsa a diminuir mais de 25 por cento (menos 34 ocorrências). Cheong Kuok Va destacou ainda a redução dos crimes de auxílio e emprego de migrantes ilegais (266 casos, contra os quase 300 registados no ano passado) e a descida, em cerca de dez por cento, dos casos de estrangeiros apanhados em excesso de permanência.
No entanto, os crimes contra o território – desobediência e falsa declaração – subiram 20 por cento, ainda em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. As autoridades detiveram quase dois mil suspeitos mas, apesar do aumento geral da criminalidade, encaminharam menos seis pessoas para o Ministério Público. “Depende se foram ou não apanhadas em flagrante delito, ou se não se conseguiu identificar o suspeito” dos crimes, explica Cheong Kuok Va.
Ainda segundo dados oficiais, entre Janeiro e Junho foram cometidos 38 suicídios. O secretário disse não ter as estatísticas de 2010 à mão e foi parco em comentários aos recentes (e quase sucessivos) casos em que as autoridades descobriram cadáveres nas águas e afastaram a hipótese de homicídio. Cheong Kuok Va disse apenas que “o Governo está preocupado”.
Crimes de droga baixam
Foram 90 casos e significam uma descida de 22,4 por cento dos crimes relacionados com o consumo de estupefacientes, em comparação com o primeiro semestre de 2010. Ainda entre Janeiro e Junho deste ano, as autoridades detectaram 59 casos de tráfico e venda de drogas (menos 4,5 por cento). O secretário para a Segurança, Cheong Kuok Va, destacou que pretende reforçar o combate aos crimes de droga através da “troca de informações com as autoridades policiais vizinhas e internacionais” e adiantou que as autoridades vão “adquirir mais aparelhos sofisticados para detectar a entrada de droga” em Macau. O sistema de raio-X será instalado “muito em breve” no Aeroporto Internacional.
