Obras suspensas em Pac-on
O empreiteiro do novo terminal marítimo teve ordem para parar os trabalhos. As autoridades detectaram no estaleiro 25 trabalhadores ilegais. A situação foi denunciada por Chan Meng Kam na passada semana.
Stephanie Lai
As obras do novo Terminal Marítimo de Pac On, na Taipa, estão suspensas desde ontem, depois de terem sido detectados trabalhadores ilegais no estaleiro.
A Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, que tem a cargo os trabalhos, recebeu ordem para parar o projecto depois de numa acção de fiscalização a Polícia de Segurança Pública (PSP) ter encontrado no local 35 operários em situação clandestina. Na inspecção, os agentes da PSP também se depararam com três barcos de pesca que, alegadamente, terão sido utilizados para o transporte diário dos trabalhadores ilegais.
A acção, promovida conjuntamente com a Direcção dos Serviços para os Assuntos laborais (DSAL), verificou a situação de 216 operários ao serviço da Zhen Hwa. As autoridades constataram então que estavam ilegais mais de três dezenas, contratados para moldar aço e gesso, bem como para realizar trabalhos de carpintaria.
De entre os trabalhadores clandestinos, três são titulares de documentos de identificação do Continente e um outro tinha apenas licença de pesca, também emitida pelas autoridades chinesas. Os restantes não possuem qualquer documento de identificação.
De acordo com a PSP, todos os operários nesta situação foram detidos, tendo os casos sido entregues ao Ministério Público para investigação.
Além dos trabalhadores ilegais, a inspecção detectou também as três embarcações que terão servido para conduzir os operários até ao local. Os proprietários do barco são três indivíduos do Continente que foram igualmente interrogados pela polícia, que pretende averiguar se estes são responsáveis pelo recrutamento.
Reagindo ao resultado da operação de fiscalização, o director da DSAL, Shuen Ka Hung, em declarações aos órgãos da imprensa local, lembrou apenas que os empreiteiros que contratem trabalhadores ilegais estão sujeitos a penas de prisão até dois anos, de acordo com a legislação. Shuen afirmou também que a lei deve ser rigorosamente cumprida.
O Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) comentou também o caso, condenando a acção da construtora Zhen Hwa. O GDI revelou que foi dada ordem ao empreiteiro para a suspensão das obras e adiantou igualmente que a Zhen Hwa e a empresa responsável pela supervisão do projecto – não identificada no comunicado do organismo – terão de responsabilizar-se por quaisquer prejuízos resultantes de atrasos nos trabalhos.
Recorde-se que na passada semana o director do GDI, Chan Hon Kit, admitiu que haverá um “desperdício inevitável” na construção do Novo Terminal Marítimo da Taipa, por terem de ser demolidas infra-estruturas já existentes.
As declarações surgiram em resposta a uma interpelação oral do deputado Chan Meng Kam que, na Assembleia Legislativa, apontou a derrapagem orçamental, o alegado recurso a trabalhadores ilegais e o atraso nas obras da empreitada.
Sobre a questão dos supostos trabalhadores ilegais, o GDI não avançou qualquer resposta. Já no que toca aos custos, Chan Hon Kit elencou que 750 milhões de patacas foram destinados à construção da nova zona de atracagem, de estacionamento e da zona comercial, e 1,8 mil milhões são para as obras de expansão do terminal marítimo.
