Reolian contra o tempo
A nova transportadora da RAEM voltou ontem a apelar ao Governo, mas revelou ter para já desistido da intenção de importar mão-de-obra. Faltam metade dos motoristas necessários e a Reolian quer um plano de contingência.
Maria Caetano
A Reolian, consórcio de transportes de passageiros que se estreia nas estradas da RAEM a 1 de Agosto, não quer estar sozinha ao volante. A concessionária de serviços de autocarros voltou ontem a pedir o apoio do Governo para uma tarefa que não tem sido fácil: recrutar os 400 motoristas necessários às operações.
Até ontem, a nova operadora contava apenas 200 profissionais contratados – metade dos que serão necessários para garantir os serviços vendidos ao Governo até 2018, por um valor de 1,6 mil milhões de patacas. E aguardava ainda por autorização da Direcção dos Serviços de Assuntos Laborais (DSAL) para um novo programa de formação para obtenção das cartas de condução das categorias D1 e D2 por parte de eventuais candidatos – a resposta chegou no mesmo dia (ver caixa).
“O tempo está a acabar. Faltam apenas dois meses. E precisamos que as acções sejam feitas mais rapidamente do que tem acontecido até aqui”, alertou Cedric Rigaud, director-geral da Reolian, que diz ter reunidos, em contactos com associações locais de motoristas, 100 interessados em frequentar novos cursos da DSAL.
“O apoio do Governo é um bom ponto a favor. Mas o tempo de reacção à exigência do mercado é importante”, alertou ontem o responsável da parceria formada pela francesa Veolia e pela H. Nolasco, de Macau, para o concurso à concessão dos novos serviços de transporte público de passageiros lançados pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego (DSAT).
No início de Março, a Reolian dava como certa a necessidade de pedir a importação de trabalhadores, face à escassez de profissionais disponíveis no mercado local. E referia ainda assim a vontade de contratar locais, em fases posteriores. O pedido de autorização de recrutamento ao exterior já não foi referido ontem, em nova conferência de imprensa da transportadora que insiste agora apenas na tecla da formação.
“Temos trabalhado com o Governo para não pedirmos a importação de trabalhadores. Tanto quanto pudermos, vamos recrutar locais. E se não recrutarmos ao mercado existente, teremos de recorrer à formação”, frisou ontem Rigaud, depois de a última acção de formação da DSAL ter resultado apenas em nove contratações efectivas de 43 pré-contratos assinados por candidatos.
“Criámos novos programas de formação. Mas precisamos de tempo para os implementar. Se queremos estar numa posição confortável e ter uma condução adequada, precisamos de dois meses de treino. Devíamos estar a começar a 1 de Junho”, alertou. Mas, perante a impossibilidade, a Reolian fala de “um programa específico” para quem entrar a 1 de Julho.
“Claro que se tivermos vagas a 1 de Julho iremos acolher os motoristas. Mas não ficarão na mesma posição”, garante.
Com optimismo, e sem rotas
Para já, a operadora pretende manter o optimismo, e diz que não pensa no que pode acontecer caso o dia 1 de Agosto chegue sem haver o número de motoristas necessários, com a companhia impossibilitada de prestar os serviços a que se comprometeu.
“Neste momento, não vemos a possibilidade de não termos os motoristas suficientes para o arranque das operações. Claro que se não tivermos bom desempenho, estão previstas sanções no contrato. Mas quando trabalhamos com o Governo queremos assegurar-nos de que a partir de agora e até 31 de Julho seremos capazes de entregar 100 por cento dos serviços”, declarou o director-geral, revelando que o assunto está já a ser discutido com o Executivo.
“Estamos a dialogar com o Governo no sentido de saber se, caso a indústria de uma forma global enfrente falta de mão-de-obra nessa altura, existe um plano de contingência”, disse, ressalvando que por enquanto há “alguma esperança”.
Além dos motoristas necessários, a Reolian diz também não estar ainda na posse do desenho completo das novas rotas do sistema de autocarros. “Temos parte da informação quanto aos itinerários emitida pelo Governo. Mas estamos ainda a aguardar por pequenas alterações da DSAT”, explicou Cedric Rigaud.
DSAL abre curso para 500 motoristas
A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) anunciou ontem a abertura de 500 vagas para um novo curso de formação de condutores de automóveis pesados de passageiros (categorias D1 e D2). A iniciativa respondeu ao repto lançado no mesmo dia pela nova transportadora Reolian, e traz regras alteradas quanto aos custos pela frequência da acção de formação destinadas a servir de incentivo à integração no mercado. O preço passa a ser de seis mil patacas – das quais 1500 são despesas de inscrição e de selo –, com reembolso total garantido àqueles que, no prazo de até três meses após a conclusão do curso, forem contratados para desempenhar a função de motorista, que mantenham durante pelo menos seis meses consecutivos. Os que se apresentem à formação com um acordo de promessa de contratação terão desconto de duas mil patacas. E os que sejam efectivamente recrutados entre quatro a seis meses após o curso desembolsarão apenas as despesas de inscrição e selo. As regras são adoptadas “por se considerar que parte dos formandos se inscrevem neste curso para reabilitação pessoal e não para integrar logo o sector”, explicou a DSAL.
