De mãos pintadas pelo autismo
A Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau marcou para sábado um acto simbólico para sensibilizar o Governo e a população em relação ao autismo. A presidente, Eliana Calderón, diz que há muitas crianças a precisar de ajuda.
Hélder Beja
O azul foi a cor escolhida em todo mundo para, este ano, assinalar o Dia Mundial de Consciencialização do Autismo. A data instituída em 2007 pelas Nações Unidas assinalou-se a 2 de Abril em todo o planeta, mas durante este mês têm-se repetido actos um pouco por toda a parte. No território, a Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau (MCDA, na sigla inglesa) marcou para este sábado um evento que pretende sensibilizar os cidadãos e o Executivo local.
Em muitas partes, como nos EUA, vestiram-se t-shirts azuis e os edifícios – mesmo alguns muito simbólicos como o Empire State Building, em Nova Iorque – trocaram as suas luzes para cor azul no dia em que se assinalou uma doença que tem vindo a afectar cada vez mais pessoas no mundo. Em Macau, o acto simbólico será outro: as pessoas que comparecem à chamada da MCDA, marcada para as 10h nas instalações da associação na Taipa, à Rua de Bragança, vão pintar as mãos de azul em sinal de apoio àqueles que sofrem desta disfunção global de desenvolvimento.
“Queremos que a comunidade e o Governo tomem consciência do autismo. Há cada vez mais crianças a quem esta doença é diagnosticada. O autismo é uma realidade em Macau”, diz Eliana Calderon, directora da associação. A responsável nota que o momento é de urgência, porque de acordo com a MCDA há várias crianças do território com necessidades especiais que não têm onde estudar.
“Vamos primeiro procurar sensibilizar e depois pedir ao Governo que nos dê mais apoio. Não temos pessoas suficientes para lidar com esta questão que está aqui, em Macau, e que não vai desaparecer”, avisa Calderon.
As crianças do território que sofrem de autismo são de origem chinesa, portuguesa mas também de outras nacionalidades. “É um problema que não escolhe camadas sociais”, lembra a presidente da MCDA. Outra representante da associação, Mary Ann, contabiliza “mais de 200 crianças em lista de espera” para receberem o apoio da associação.
Ambas as mulheres acreditam que hoje a população do território está mais informada sobre o que é o autismo do que há alguns anos. Mas acrescentam que é preciso fazer mais, a começar pela melhoria das condições de acesso à educação para crianças com insuficiências. Neste sentido, destaca-se a importância de um diagnóstico o mais prematuro possível, para que as crianças afectadas possam ter o acompanhamento devido.
No sábado os participantes deixarão as suas ‘impressões digitais’, a azul, como símbolo de apoio às pessoas autistas. O momento servirá também para recolher fundos para apoiar a Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau.
