Macau comprou mais títulos da dívida portuguesa
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) voltou a adquirir recentemente títulos de dívida do Governo português, disse ontem o presidente do organismo, Anselmo Teng, que não exclui novas aquisições. “Adquirimos este ano alguns [títulos da dívida portuguesa] em diferentes parcelas e através de leilões públicos. A última aquisição ocorreu muito recentemente, antes da demissão do primeiro-ministro”, José Sócrates, disse o responsável, sem querer avançar com os montantes envolvidos na operação.
Teng deixou em aberto a possibilidade de a AMCM voltar a adquirir novas obrigações portuguesas, destacando que se a “oportunidade for boa, o organismo voltará a ponderar comprar mais”. “Temos estado a acompanhar de perto a evolução do mercado internacional, incluindo o mercado europeu. Quando encontrarmos boas oportunidades, vamos analisá-las para decidirmos avançar ou não”, acrescentou.
Macau adquiriu pela primeira vez títulos de dívida portuguesa em Janeiro com base no “empenho demonstrado pelo Governo português na implementação de medidas para a redução do défice orçamental, que contribuiu para a redução do pessimismo instalado e retorno gradual da confiança nos mercados financeiros europeus”, segundo justificou o organismo.
Tratou-se do primeiro apoio de Macau a Portugal ou a qualquer outro país no contexto da crise económica mundial, e surgiu depois da deslocação ao território, em Setembro, do ministro das Finanças de Portugal, Teixeira dos Santos, e do primeiro-ministro, José Sócrates, dois meses mais tarde.
Em Janeiro, o Dow Jones avançou que a China comprou a Portugal 1,1 mil milhões de euros de dívida pública numa operação de venda directa.
Os juros exigidos pelos investidores para deterem títulos de dívida soberana portuguesa a cinco anos voltaram ontem a bater máximos históricos, com a negociação a situar-se numa média de 8,732 por cento, acima dos 8,690 por cento de segunda-feira, situando-se o ‘spread’ face à dívida alemã nos 612,2 pontos base.
