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ANA está fora do aeroporto

March 30, 2011

O presidente da ANA não estava à espera que a Companhia do Aeroporto de Macau terminasse o contrato com a joint-venture sino-portuguesa. A empresa gere a estrutura desde 1995. Em Setembro, deixa de o fazer.

A Companhia do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) informou a ADA – Administração de Aeroportos, participada da ANA, que não vai renovar o contrato de concessão da gestão do aeroporto de Macau, avançou ontem a Lusa. A notícia foi confirmada à agência de notícias pelo presidente da ANA – Aeroportos de Portugal.

Guilhermino Rodrigues explicou que a CAM quer “iniciar um processo de negociação comercial, mas não tendo em vista a renegociação do contrato de gestão”, que termina em Setembro deste ano.

“Estranhamos esta informação dada pela CAM, na medida em que das reuniões que tivemos em Março, em Macau, tanto com a CAM como com o secretário para as Obras Públicas, o nosso entendimento era que seria aberto um processo de renegociação do contrato”, afirmou Guilhermino Rodrigues.

O responsável acrescentou que “todas as partes, a todos os níveis, reconhecem que o modelo de gestão do aeroporto com base na ADA correspondia também, sob o ponto de vista político, à manutenção de uma cooperação entre os Governos de Macau, Portugal e China”, pretendido por Pequim.

“Por isso é que estranhamos”, disse o presidente, salientando que a ANA já tinha afirmado que “só se manteria ligada à gestão do aeroporto se entendesse que na renegociação estavam asseguradas todas as condições para que pudesse ser a responsável operacional e assumir responsabilidades do ponto de vista da segurança do aeroporto”.

Recorde-se que, em Fevereiro, a CAM enviou uma carta à ADA salientando que não estava interessada em renovar o contrato nos actuais moldes, missiva que motivou a deslocação a Macau de responsáveis da administração da ANA para a reunião a que faz referência Guilhermino Rodrigues.

Em declarações à imprensa, a CAM sustentava na altura ser uma obrigação legal ter enviado a carta denunciando o actual contrato, na medida em que “não pretendia” terminar o contrato com a ADA, apenas reformular os seus termos.

A ADA, uma joint-venture entre a ANA – Aeroportos de Portugal e a China National Aviation Corporation tem a gestão do aeroporto de Macau desde a sua abertura, em Dezembro de 1995.

Ontem, a fonte que avançou a notícia à Lusa, ainda antes da confirmação oficial, explicou que a gestão orçamental da empresa nos últimos anos tem sido positiva, pelo que a justificação para a denúncia do contrato de gestão “não deve ser considerada com fundamento em aspectos técnicos ou financeiros”.

“A atitude é tão mais surpreendente por não estar de acordo com as recentes declarações proferidas por dirigentes chineses que pretendem uma aposta cada vez maior nas parcerias envolvendo empresas chinesas e dos países de língua portuguesa em Macau”, acrescentou a mesma fonte.

A ADA tem cerca de 250 funcionários com quase duas dezenas de chefias, e a decisão de terminar o contrato é vista também pela fonte como o trilhar de um caminho que “pode ter impacto na gestão operacional do aeroporto tendo em conta uma súbita alteração na orgânica e metodologia de gestão”.

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