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A riqueza não chega a todos

March 30, 2011

Os salários de Macau são os que têm menos peso no PIB dentro das regiões desenvolvidas da Ásia. Faltam políticas públicas e justiça social. O relatório anual da Academia Chinesa de Ciências Sociais sobre o desenvolvimento da RAEM está aí.

Stephanie Lai

A terceira edição do chamado “Livro Azul de Macau” – o relatório anual sobre a economia e a sociedade locais, publicado pela Editora de Documentação de Ciências Sociais da China – já está disponível. A obra reúne 27 ensaios de académicos de Macau e do Continente que analisaram as políticas do Executivo relacionadas com os conceitos ‘Governo transparente’ e ‘decisões científicas’. As conclusões não são positivas.

Os investigadores referem que há uma “necessidade urgente” de a Administração conseguir estabelecer um equilíbrio entre a eficácia governativa e a justiça social quando apresenta políticas relacionadas com a vida dos cidadãos. Os especialistas destacam que a população está a braços com um “elevado custo social” e continua sem receber “grandes benefícios” do rápido crescimento da economia.

Hao Yufan, editor do ‘Livro Azul’ e director do Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau, destaca que a primeira década da RAEM foi “um período histórico especial”. A Administração de Edmund Ho, sublinha, “promoveu largamente o desenvolvimento da indústria do jogo, impulsionando o crescimento económico e acumulando riqueza”.

No entanto, contrapõe o especialista, as políticas relacionadas com os assuntos sociais – saúde, segurança social, habitação, nível de rendimentos e distribuição da riqueza – “foram negligenciadas durante muito tempo e estão agora a fazer sombra ao brilho da economia local”.

Zheng Zhonglu, professor do Instituto Politécnico de Macau, também analisou as ligações entre o desenvolvimento da economia e a justiça social no território para chegar a uma conclusão: “A baixa representação dos salários no Produto Interno Bruto (BIP) tem sido um problema grave”, pode ler-se no artigo que o académico publica no “Livro Azul”.

A questão já se levantava antes da transição e, segundo Zheng Zhonglu, ainda está por resolver. Hao Yufan confirma a tese e acrescenta que o peso dos salários no PIB de Macau “é mais baixo” do que os registados noutras regiões desenvolvidas da Ásia. “O Governo precisa de prestar atenção a isto”, alerta o editor.

Hao Yufan pretende que o “Livro Azul” se assuma como uma “referência importante” para as políticas governamentais e que diz esperar que também a sociedade civil preste “mais atenção” ao relatório – “para que o progresso social, as oportunidades e os problemas possam ser compreendidos de forma abrangente”, refere.

A próxima edição, adianta Xie Shouguang, director da Editora de Documentação de Ciências Sociais (da Academia Chinesa de Ciências Sociais), deverá sair mais cedo. A ideia é que o livro seja publicado durante as reuniões de Março da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. “Poderá ajudar os representantes chineses a compreenderem o desenvolvimento anual de Macau”, justifica o académico.

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