Resposta recebida com estranheza
A resposta do Ministério Público (MP) à carta aberta de Leong Lai Heng, publicada ontem nos jornais de Macau, causa estranheza ao advogado da mulher de Pedro Chiang. Desde logo, disse João Miguel Barros ao PONTO FINAL, por o comunicado, “nos termos em que foi emitido, não esclarecer nada do que é essencial, que é uma senhora estar a ser investigada há mais de quatro anos sem ter a oportunidade de se defender, durante estes anos ter feito pedidos ao MP para que fosse esclarecida e o MP nunca ter respondido”.
Mas os reparos não ficam pela ausência do esclarecimento que se pretendia. “Estranho que na nota à imprensa se tenha misturado deliberadamente a situação das pessoas que foram levadas a julgamento e que nada têm que ver com a situação de Leong Lai Heng, porque ela não foi levada a julgamento e continua sem oportunidade de se defender”, acrescenta o causídico, comentando assim o ponto da nota à imprensa em que o MP faz referência ao facto de Pedro Chiang estar a ser julgado – ora, na carta aberta, Leong queixou-se apenas da situação em que se encontra.
João Miguel Barros também não deixa passar em claro a “alusão à eventual violação do artigo 76º do Código do Processo Penal”, feita pelo Ministério Público no comunicado. O artigo em questão trata da violação do segredo de justiça – o advogado sublinha que “o Ministério Público tem há mais de três anos uma queixa apresentada pela senhora Leong Lai Heng” precisamente sobre a mesma matéria. Por isso, estranha o advogado que a menção seja feita “e nada se saiba do que [o MP] tem estado a fazer em relação a este processo”, apesar das “insistências para obter um esclarecimento sobre a situação”.
