Garcia Leandro e Melancia vêm a Macau
Os antigos governadores Garcia Leandro e Carlos Melancia vêm ao território em Abril, a convite do Chefe do Executivo. Os responsáveis deverão ficar na RAEM cerca de uma semana. Em entrevista à Rádio Macau, Garcia Leandro afirmou também que pretende passar por Hong Kong a visitar algumas personalidades, como o magnata do jogo, Stanley Ho.
À rádio, o antigo governador destacou a renovação do contrato de exploração do jogo, assinado em 1976, como um dos momentos que marcou os cinco anos da sua governação em Macau. A revisão, conta Leandro, fez com que Stanley Ho passasse a pagar 102 milhões de patacas por ano, em lugar dos nove milhões, factor que, acrescenta, contribuiu para o desenvolvimento do território.
O primeiro governador de Macau no pós-25 de Abril frisou ainda que, enquanto assumiu funções, nunca se colocou oficialmente a hipótese da transferência da administração de Macau. Garcia Leandro sublinhou que “não é totalmente falso” que se tenha falado no assunto, porque houve quem tivesse feito declarações nesse sentido. Contudo, ressalva, “esses senhores não tinham responsabilidades”. “A nível oficial e de pessoas que tinham responsabilidades dos governos em Portugal e de Macau nunca isso foi feito”, vincou.
Leandro acredita que o livro que escreveu e que estará à venda na próxima semana – “Macau, nos anos da revolução Portuguesa 1974-79” – explica de “um modo completamente definitivo” a controvérsia. “O que a China queria e o que os chineses de Macau queriam era estabilidade, estabilidade e estabilidade, e que se definissem as regras do jogo. Queriam que se definisse quem governava para se poder ter uma vida normal e para que os negócios pudessem ser feitos”, afirmou, sublinhando que a visão que tinha para o território recebia o apoio do Movimento das Forças Armadas – como, garante, prova um documento revelado no livro – e de outras entidades locais e dirigentes chineses.
