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Vistas antigas no Clube Militar

February 25, 2011

A Wattis, casa de antiguidades de Hong Kong, mostra na próxima semana mais de duas dezenas de vistas de época da região: aguarelas, fotografias, pintura a óleo, litografias e mapas antigos.

A galeria Wattis, casa de antiguidades especializada no comércio de antigas vistas da zona da baía do Delta, inaugura na próxima semana no Clube Militar de Macau uma exposição onde se exibem vários originais de fotografia e aguarela produzidos entre o final do século XVI e o início do século XX. São imagens fixadas por artistas associados a casas de comércio estrangeiras com presença na região, e que a Wattis tem vindo a coleccionar ao longo das últimas três décadas.

A mostra é exibida num edifício que é ele próprio um dos principais marcos visíveis em muitas das vistas de época, pintadas ou fixadas na sua maioria com propósito documental. O edifício do Clube Militar, construído em 1870, é frequentemente usado para datar imagens antigas de Macau.

Entre as peças da Wattis, que expõe já pela quarta vez no território, não há as habituais obras de Georges Chinnery – das quais a galeria tem alguns exemplares –, mas há vistas de Auguste Borget, pintor francês que viveu em Macau nos anos de 1838 e 1839. Borget é o autor de alguns dos mais conhecidos desenhos do sul da China. Barthélémy Lauvergne e Edward Hildebrandt são outros dos artistas representados na exposição.

A Wattis destaca entre o lote que exibe “Vista em Macau”, gravura pintada a aguarela, original de John Webber, artista oficial a bordo do HMS Resolution na terceira e última viagem do capitão britânico James Cook pelo Pacífico, entre os anos de 1776 e 1780.

Após a morte de Cook no Havai, a nau regressou a Inglaterra com passagem por Macau, momento em que Webber produziu alguns desenhos que representavam o território. Mais tarde, já em Inglaterra, o artista havia de transpô-los para gravura.

A vista fixou a paisagem da época na zona norte do território. À esquerda, vê-se a Fortaleza do Monte, construída em 1616, junto às Ruínas de São Paulo, antes de serem ruínas, quando reconstruídas de um primeiro incêndio que havia de deflagrar no edifício religioso, em 1580. Mais tarde, em 1835, iria ser novamente consumido pelas chamas.

O trabalho dos cartógrafos merece também destaque na exposição do Clube Militar. Um mapa panorâmico de Goa, da autoria de Jan Huygen van Linschoten, é uma das peças mais antigas em exibição. Foi datado de 1595 – o autor viveu entre os anos de 1563 e 1611. Há também duas plantas de Macau do início do século XVII da autoria de Fraçois Valentyn. Mais recente, de 1922, mostra-se um mapa do almirante Hugo de Lacerda, hidrógrafo português que ocupou o posto de governador interino do território.

Na mostra estarão também duas telas atribuídas ao artista chinês Lamqua, e fotografias de autores desconhecidos que exibem as Ruínas de São Paulo e uma vista da Baía da Praia Grande no final do século XIX.

Com o nome “Vistas Antigas de Macau e dos Rio das Pérolas (1595-1922)”, a exposição fica no Clube Militar até 6 de Março.

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