Há um Paulo Bento no Monte Carlo
É treinador e veio do Sintrense, juntamente com quatro jogadores para reforçar o Monte Carlo. Já se estrearam e ajudaram à goleada sobre Pau Peng. Ka I marca mais quatro e lidera.
Vítor Rebelo
Aí está a nova fornada de reforços para o Monte Carlo, à terceira jornada do campeonato de futebol da RAEM da I Divisão. O ano passado, também o mesmo empresário, o brasileiro Luís Carlos, havia oferecido alguns jogadores ao clube do seu amigo Firmino Mendonça. Prometeu repetir a dose e cumpriu.
Chegaram ao território na noite da passada quinta-feira, cheios de boa vontade, não só para singrar no futebol de Macau, mas essencialmente com os olhos postos na República Popular da China ou noutro país asiático.
Vieram acompanhados por um treinador português, com nome sonante, Paulo Bento, mas este ex-Sintrense, não o outro, o famoso, ex-Sporting e actualmente a orientar a selecção de Portugal.
Todos eles, técnico e futebolistas, já se estrearam ontem, no desafio em que o Monte Carlo goleou (5-0) o Pau Peng. A “revolução” na equipa é evidente. Só falta o entrosamento ideal. Temos Monte Carlo para discutir os primeiros lugares do campeonato. E temos igualmente jogadores, acima da média, para valorizar a prova da RAEM, tal como já havia acontecido na temporada anterior.
Paulo Bento, de 46 anos – que tem desde já assegurado um contrato com uma formação de Pequim, do escalão principal, logo que termine o campeonato de Macau –, colocou a jogar os quatro “craques”.
Os poucos adeptos que se deslocaram ao Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia notaram a diferença. O futebol do Monte Carlo é outro e os golos apareceram naturalmente. Os reforços jogam e fazem jogar.
Um dos brasileiros, Bruno Figueiredo, defesa lateral, que esteve a actuar num clube do Irão (Payam Mashhad) na última época, depois de ter vestido a camisola de várias equipas do Brasil (Santos, Rio Branco, Portuguesa Santista, Grémio Pinheiros, entre outros), bisou na vitória clara sobre o Pau Peng que, na jornada anterior, havia feito a “vida negra” ao FC Porto (3-3).
Outro brasileiro, Kamilo Oliveira, centro campista (ex-Santa Catarina), também colaborou na goleada, num conjunto em que igualmente jogaram de início o guineense Adilson Cassama, avançado (ex-Monthey da Suíça, Estrela da Amadora, Naval, União de Lamas e que se iniciou nas camadas jovens do FC Porto), e Ricardo Júnior, médio (antigo elemento do Paulista de Jungaí, Rio Branco, Jabaquara).
Os restantes jogadores da equipa do Monte Carlo, os da “prata da casa”, acabaram por beneficiar da técnica e velocidade dos seus novos companheiros, contribuindo para o primeiro triunfo do Monte Carlo no campeonato deste ano. Chau Wai Hou e Chan Chi Wai fizeram igualmente o gosto ao pé.
Recepção calorosa
À chegada ao terminal de jetfoil, o quarteto agradeceu a recepção por parte dos dirigentes do clube, onde se encontrava o presidente Firmino Mendonça, e foi unânime em considerar útil esta vinda para Macau, para ajudar a desenvolver o futebol por cá, dar títulos ao Monte Carlo e tentar a sorte noutras paragens. Os jogadores dizem querer igualmente absorver a cultura de Macau e da Ásia.
Quanto ao treinador Paulo Bento, disse ao PONTO FINAL ser uma “aventura muito dignificante”. “Estar na Ásia é uma situação muito agradável e espero que tudo corra bem. Quando as pessoas saem do país têm expectativas elevadas e espero por isso mantê-las, à custa de muito trabalho sério e da maior qualidade possível”, afirmou.
O técnico iniciou a temporada de 2010/2011 ao serviço do Sintrense (III Divisão) e, na época passada, trabalhou como adjunto de Carlos Azenha no Vitória de Setúbal, tendo já passado pelas camadas jovens do Sporting, pelo Sacavenense e pelo Mafra.
“Tenho a consciência que terei de adaptar o futebol à realidade de Macau, uma vez que a maioria dos jogadores trabalha durante o dia e só treina à noite. O futebol na Europa é de muito rigor, muita concentração. Aqui é diferente. Desejo contribuir de forma séria ao nível do treino para a evolução do futebol de Macau, integrado num clube com história, como é o Monte Carlo. Espero trazer qualidade à equipa e uma grande alegria de jogar, libertando a criatividade dos jogadores.”
Lançar no mercado
Luís Carlos, o empresário responsável por estes reforços e um dos proprietários da empresa Plenitude Lusitana, de compra e venda de jogadores, diz ter cumprido mais uma vez a promessa de ajudar o Monte Carlo.
“É esse o meu objectivo, para além de valorizar o futebol na RAEM e de, por outro lado, tentar colocar alguns destes jogadores em clubes chineses. Penso que estes elementos, não desvalorizando os do ano passado, estão mais bem preparados fisicamente, uma vez que se encontravam a treinar”, declarou.
Há por isso grande expectativa para o campeonato do território, que já começou a tirar partido da técnica dos novos futebolistas, com golos apontados.
Ka I soma e segue
Nos restantes desafios da jornada do fim-de-semana, mantiveram-se totalmente vitoriosos o Ka I (4-0 ao Lam Ieng) e o Lam Pak (2-1 ao Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública.
O conjunto de Rui Cardoso já leva 18 golos apontados, em três jogos, destacando-se, curiosamente, um brasileiro, William Gomes, que veio na época passada para o Monte Carlo pela mão do empresário Luís Carlos.
Quanto ao FC Porto, averbou o primeiro triunfo, tal como aconteceu com o Monte Carlo, ao superar o Hoi Fan sem grandes problemas (3-0). Marcaram no “onze” de Dani Simbo Diakité (2) e Francisco Cunha.
O Hong Ngai e o Sub 23 empataram a duas bolas.
Ronda de cartaz
A próxima jornada só vai decorrer no dia 25 de Fevereiro (a selecção de Macau defronta o Camboja a 9 e 16, a contar para a Taça Challenge) e os “azuis e brancos” terão pela frente o Hong Ngai.
O jogo de maior cartaz irá colocar frente-a-frente os dois primeiros da classificação, Ka I e Lam Pak, ainda sem qualquer ponto desperdiçado no campeonato.
Uma última referência à II Divisão, onde o Benfica venceu a Alfândega por 4-0.
