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“Estou a ser um instrumento de Deus”

January 31, 2011

É assim que Florinda Chan define o seu papel no Governo da RAEM. Em entrevista à Rádio Macau, que foi transmitida este fim-de-semana, a secretária explicou que as críticas de que tem sido alvo não a desalentam, antes pelo contrário: são um motivo para continuar a desempenhar o seu trabalho. Diz-se de “consciência tranquila” e com “vigor, amor e espírito de missão cada vez mais fortes”.

“Levo as críticas como [algo] muito positivo. Se as críticas têm fundamento e têm razão, temos de mudar. Ninguém é perfeito”, defendeu a responsável pelas pastas da Administração e Justiça do Governo de Chui Sai On. “A nossa equipa é muito coesa. A minha relação com o Chefe do Executivo é boa, aliás, fomos colegas [durante] dez anos. Estou a sentir-me cada vez mais realizada no cargo.”

Ainda a propósito do cargo que ocupa, Chan encontra também razões de ordem espiritual para o desempenho das suas tarefas. “Estou a ser como um instrumento de Deus, para fazer o que Deus quer que eu faça para o meu povo, como funcionária, como servidora do Governo”, referiu.

Secretária desde Dezembro de 1999, Florinda Chan prefere não pensar, para já, na possibilidade de um quarto mandato. “Sinto-me muito realizada com este trabalho, mas o ser humano também tem as suas fases diferentes da vida. Portanto, não pensarei [em] daqui a cinco anos. Só estou empenhadíssima para cumprir bem o actual mandato”, salientou na entrevista conduzida por Gilberto Lopes.

No balanço destes 11 anos de trabalho, a governante confessou que o episódio Ao Man Long está entre os momentos mais difíceis. “Fiquei chocada, porque é uma honra podermos fazer parte do Governo, poder servir os nossos cidadãos. Mas no caso desse meu ex-colega, aproveitou-se para buscar os seus interesses. Foi um choque não só para mim, julgo que para muitos trabalhadores”, disse. Para Chan, há no entanto algo a aprender com o escândalo de corrupção protagonizado pelo ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, condenado a 28 anos e meio de prisão. “Com isto empenhamo-nos melhor [no sentido] de que tem de ser um Governo mais íntegro, mais honesto, mais limpo, mais honesto e transparente.” A secretária entende que “com maior transparência, evitam-se mais oportunidades para a corrupção”.

Na entrevista à Rádio Macau, a governante pronunciou-se também sobre a forma como tem vindo a ser distribuída a riqueza proveniente do sector do jogo. Admitiu que os frutos não chegam a todos, mas assegurou que a justiça social faz parte das preocupações de todos os governos da RAEM: “É capaz de não chegar a todos, mas posso afirmar aqui que o Governo está empenhadíssimo para que todas as pessoas, principalmente as mais necessitadas, tenham o apoio suficiente da parte do Executivo”.

Destaque ainda para o modo como Florinda Chan encara a utilização da língua portuguesa no território. “É uma vantagem comparativa de Macau”, ajuizou, não deixando de recordar a mensagem de Pequim transmitida na mais recente deslocação à RAEM de uma alta individualidade do Governo Central. “Quando veio o primeiro-ministro Wen Jiabao a Macau por causa da conferência ministerial, mais ênfase deu à língua portuguesa. Julgo que as pessoas se devem sentir orgulhosas por aqui se falar português, inglês e chinês. Quantas mais línguas melhor”, lançou.

A entrevista com Florinda Chan vai de novo para o ar hoje, quando forem 10h30. Pode ainda ser ouvida na íntegra no site da Rádio Macau.

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