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Todos conhecem o tio Stanley

January 28, 2011

No Grand Lisboa, o busto do magnata do jogo é diariamente enquadrado nas fotografias de milhares de turistas. Sabem quem é Stanley Ho, mas não estão muito por dentro da disputa familiar. Há, no entanto, quem acompanhe a história.

Hélder Beja*

Chegam aos grupos e, depois de atravessarem as portas de entrada do casino Grand Lisboa, detêm-se quase todos no busto de Stanley Ho ali colocado. São turistas do Continente, de Taiwan e de muitas outras paragens que podem não saber muito sobre o velho magnata dos casinos mas sabem isto: é rico, para lá de rico. E gostam de fotografar-se a seu lado.

Novos e velhos apontam, sorriem, muitos fazem o famoso “V” das fotografias chinesas. Será que sabem mais sobre o homem ali ao lado, no busto? Dizem quase todos que sim ao PONTO FINAL, à excepção de duas turistas filipinas que visitam o território pela primeira vez. “Não fazemos ideia, nunca ouvimos falar dele”, admitem.

Uma das mulheres ouvidas é natural da província de Harbin, no norte, e comenta que casos como este em que agora se vê envolvido Stanley Ho “são muito comuns em famílias ricas”. Está em Macau em visita, especialmente para conhecer os casinos. Não tem acompanhado o caso que envolve as diferentes mulheres e filhos de Ho, apesar de ter visto algumas imagens na TV, mas sabe que é “uma família muito grande” em que “era de esperar” situações como esta. “Devem ser eles a resolver essas questões entre si”, remata.

Os flashes sucedem-se, como se houvesse qualquer coisa a atrair gente para a pequena estátua resguardada por um separador de vidro – ladeada por figuras de bronze e alguns diamantes. Num grupo de turistas do Continente, um parece assustado com as perguntas e diz de imediato que nada sabe sobre Stanley Ho, apesar de ter acabado de pedir para ser fotografado junto ao seu busto. Outro, mais afoito, lá refere que “é o rei da indústria dos casinos”. Nenhum consegue ir além das considerações gerais e, antes de seguirem para as mesas de jogo e as slot machine, surpreendem-se se falamos do número de filhos ou das quatro mulheres do magnata.

Por dentro do assunto

É preciso procurar a opinião local para encontrar alguém que esteja a acompanhar a autêntica novela dos últimos dias, com cartas, comunicados e declarações contraditórias à mistura. No mesmo átrio do casino desenhado pelos arquitectos de Hong Kong Dennis Lau e Ng Chun Man – que abriu em Fevereiro de 2007, tem 58 andares e 261 metros de altura – encontramos uma residente de Macau que mostra algum cepticismo em relação ao vídeo anteontem divulgado pela TVB, em que Stanley Ho lê para as câmaras uma declaração inscrita num placard, durante a qual assegura que tudo está bem nas relações da família depois da transferência de acções noticiada no dia anterior.

Com a terceira mulher (Ina Chan Un-chan) e uma das filhas (Florinda Ho) ao lado, o empresário pareceu-lhe combalido: “Será que ele estava realmente consciente naquele momento? Suspeito que terá sido obra da mulher dele”, comenta a entrevistada, que prefere não revelar o nome. Os desaguisados familiares não a surpreendem, já que “em notícias anteriores ficou claro que as filhas deste homem nem sequer falam umas com as outras. Não espanta nada que andem neste reboliço agora”.

Na opinião desta mulher, o facto de Ina Chan Un-chan, a terceira mulher de Ho, ser aparentemente a mais beneficiada com a propalada transferência de títulos deve-se ao facto de “ela ser a mais pacífica, quando comparada com a segunda e a quarta mulheres”.

Entre os expatriados que trabalham na RAEM, também há quem siga com atenção os episódios do caso que tem marcado a actualidade. Uma farmacêutica filipina ouvida por este jornal disse que Stanley Ho “é o figurão de Macau, o homem que toda a gente conhece e o senhor dos casinos” do território. Aludindo ao vasto património do magnata, a mulher referiu que “ele é dono de metade de Macau” e lembrou que o facto de o projecto de um casino flutuante pensado por Ho para a baía de Manila nunca ter sido concluído “foi uma grande tristeza para os filipinos”.

“A maior parte das pessoas queria muito que Stanley Ho investisse nos casinos e que se desenvolvesse a indústria do jogo”, apontou. Recorde-se que Stanley Ho já teve casinos nas Filipinas, enquanto Ferdinand Marcos presidiu ao país. Em 1986, quando Corazon Aquino subiu ao poder, Ho foi forçado a deixar os investimentos. Isto, brinca a farmacêutica, pode explicar a vaga migratória daquele país para a RAEM: “Ele acabou por não poder fazer os seus investimentos lá. Então viemos nós, os filipinos, para cá”.

*com Stephanie Lai

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