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Cinzas precisam de mais análise

December 31, 2010

É este o resultado do relatório feito à qualidade do ar, solos e poeira através de amostras recolhidas junto ao aterro de cinzas volantes de Ka Ho. Os especialistas dizem que a monitorização foi insuficiente e deve continuar.

 

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) apresentou ontem os resultados do relatório sobre a situação ambiental junto ao aterro de cinzas volantes de Ka Ho, em Coloane. O estudo encomendado pelo Governo à empresa internacional AECOM garante que “as partículas inaláveis de suspensão, dioxinas e metais pesados nos referidos espaços apresentam valores inferiores” aos indicadores padrão, avançou a DSPA em nota de imprensa. “Estes valores são semelhantes aos referentes à qualidade dos elementos ambientais nas regiões vizinhas, sem que se verifique, portanto, qualquer diferença evidente”, acrescenta o comunicado.

As recolhas feitas em Coloane são, no entanto, consideradas insuficientes pelos especialistas – os resultados foram submetidos ao Instituto das Ciências Ambientais do Sul da China, sob a égide do Ministério da Protecção Ambiental chinês – que pedem um reforço da monitorização para que seja possível obter resultados mais sólidos. As recolhas foram feitas apenas entre os dias 14 e 20 de Dezembro, junto ao Lar de Idosos de Nossa Senhora de Ka Ho, Centro de Santa Lúcia, Escola Dom Luis Versiglia, Escola de São José de Ká Hó, Associação das Águias Voadoras de Macau e Don Bosco Youth Village. Sete dias que os especialistas consideram poucos para obter resultados cientificamente defensáveis.

O relatório sugere, assim, que a “monitorização constante nos locais receptores mais sensíveis seja efectuada até ao fecho do aterro com vista a conhecer, melhor e atempadamente, o estado e a qualidade do ar nas zonas circundantes”. Propõe ainda a necessidade de analisar os poluentes e partículas atmosféricas, e reforçar a regularidade da monitorização e amostragem de solos e do seu perfil, nos locais onde se regista a ultrapassagem de parâmetros de referência da avaliação.

A DSPA assegura que “continuará a auscultar as sugestões de especialistas e a seguir as propostas do relatório, em coordenação com as opiniões das individualidades do bairro em causa”. Compromete-se ainda a “resolver a situação mediante métodos científicos, com vista a reforçar a monitorização dos elementos ambientais” junto ao aterro de cinzas volantes e “melhor assegurar a qualidade do ambiente na zona”.

Recorde-se que, no começo do mês, o jornal Cheng Pou e a MASTV difundiram imagens onde surgiam camiões de caixa aberta da Companhia de Resíduos Sólidos vazando a queima do lixo sem qualquer protecção que limitasse a suspensão de partículas no caminho entre as centrais de incineração de resíduos comuns e perigosos e o aterro de Ka Ho.

Residentes avaliados por médicos

 

Tendo em consideração os componentes de cinzas revelados no relatório de avaliação, e atendendo a que algumas amostras do ambiente ultrapassaram o indicador de referência, os Serviços de Saúde vão realizar os exames médicos destinados aos residentes junto ao aterro de cinzas de Ka Ho. As análises serão feitas de forma completa e sistemática, estando, neste momento, a efectuar-se em detalhe os trabalhos preparatórios. O programa, elaborado preliminarmente pelos Serviços de Saúde, vai cobrir os indivíduos que residem, frequentam cursos ou trabalham, de forma permanente, na periferia do aterro, sendo os mesmos classificados em grupos por distância em relação àquele lugar. Espera-se que o controlo de saúde tenha início na segunda semana de Janeiro.

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