Animais de palco
Foram uma das bandas do mês para a MTV em 2009 e considerados o melhor grupo de electro da China este ano. Os Pet Conspiracy são uma mistura sino-italiana e estreiam-se em Macau amanhã. Prometem toneladas de descargas eléctricas.
Hélder Beja
Em dois anos, os Pet Conspiracy subiram ao topo da electro-punk. Estiloso, o quarteto que cruza ocidente e oriente apresenta-se amanhã no espaço XL Creation, à Avenida do Coronel Mesquita, para um concerto que abre o ano musical no território e arranca às 22h.
Estrearam-se em 2008, com o EP homónimo “Pet Conspiracy”, e estão a preparar um novo álbum, que deve ficar pronto em Março. Dos clubes de Pequim e de Barcelona (como o célebre Razzmatazz) para os estúdios das estações televisivas BBC e Arte TV, a banda que tem em Peaches uma das principais referências é composta por Huzi (o mentor e guitarrista), Yun Yun (designer e vocalista), Edo (baterista) e Mary (vocalista e DJ). Foi precisamente a italiana que respondeu às perguntas do PONTO FINAL, numa entrevista por e-mail.
- Como definiria a vossa música?
Mary – Hummmm, uma espécie de electro-punk com ligeiros toques de circo gótico.
- O sucesso dos Pet Conspiracy foi rápido. Quais foram os momentos-chave para conseguirem chegar a este nível?
Mary – Tivemos muita sorte durante estes dois anos e um bom número de amigos que nos ajudaram neste processo. Houve imensos momentos-chave, como termos sido a banda do mês para a MTV, a melhor banda de electrónica na China e por aí fora. Mas provavelmente um dos mais excitantes veio no começo deste ano, quando vimos pela primeira vez o Yu Gon Yi Shan – o clube onde costumávamos fazer os nossos espectáculos a solo em Pequim – a rebentar pelas costuras, tão cheio que as pessoas faziam fila do lado fora. Foi completamente inesperado e espectacular.
- De onde vem o vosso nome, Pet Conspiracy?
Mary – Somos obcecados por animais: cães, gatos, peixes, tartarugas, coelhos e ursos de peluche estão literalmente a invadir os nossos apartamentos.
- A banda tem membros chineses e italianos. Como é que se juntaram?
Mary – O produtor criativo e fundador da banda é o Huzi, que começou o projecto em 2007 juntamente com o anterior DJ Liman e a anterior vocalista Helen Feng. Os actuais membros da banda chegaram um ano depois. Foi assim: uma noite, durante uma grande festa em Pequim, Huzi levou uma miúda muito gira, que usava uns óculos de sol enormes (a Yun Yun), para o palco, e pôs-lhe umas baquetas electrónicas nas mãos. Em menos de um mês, a sua forte personalidade em palco fez dela a segunda voz da banda. Umas semanas depois, Huzi e Edo conheceram-se no famoso bairro artístico de Pequim, o 798. O Huzi estava a passar música na inauguração de uma exposição para a qual o Edo tinha feito o design gráfico e tornaram-se instantaneamente amigos. Quanto a mim, sou louca pelos Pet Conspiracy desde o começo e uma das grandes fãs da banda. Uma certa noite, em 2008, fui basicamente atirada para o palco como DJ, diante de dez mil pessoas, e a seguir juntei-me à banda.
- É fácil trabalhar em conjunto?
Mary – Somos como uma família e adoramo-nos. Umas vezes brigamos e detestamo-nos uns aos outros, mas depois tornamo-nos uma família outra vez. A nossa banda tem tudo que ver com relações emparelhadas. Somos duas mulheres e dois homens, dois italianos e dois chineses, dois guitarristas e dois cantores. E, finalmente, somos mesmo dois casais. Às vezes é fácil, às vezes é desafiante, mas uma coisa é certa: nunca é aborrecido.
- A pergunta pode parecer descabida, mas como é ser uma estrela musical na China?
Mary – Ahah, não nos sentimos realmente grandes estrelas da música, apesar de às vezes acontecer darmos autógrafos na nuca ou no peito dos nosso fãs. O que posso dizer é que é excelente ter uma boa resposta do público à nossa música e receber toda aquela energia.
- Actuaram na Ásia e também em vários países europeus. Os públicos são mesmo diferentes?
Mary – O público chinês é sempre extremamente entusiasta e aberto a novos estilos. As pessoas têm uma capacidade peculiar de construir relações de empatia com a banda, que vão além dos seus gostos musicais, e isso é muito motivador. Na Europa, a audiência tem uma maior experiência no que toca a ver bandas de todo o mundo e tem pontos de vista mais fortes quanto à música. Por essa razão, sempre que temos um feedback positivo, é muito recompensador.
- Chegaram a mencionar Peaches como influência. Ela esteve em Macau recentemente. Agora é a vossa vez. Que expectativas têm para o concerto?
Mary – Adoramos a Peaches e tomamo-la como um modelo de perfeição performativa. Tocámos com ela em Abril e foi espectacular. Quanto a nós, tentamos nunca ter expectativas antes de cada espectáculo. Apenas saltamos para o palco e vemos o que vai acontecer. Esta é a nossa primeira vez em Macau, também como turistas, e estamos com muita vontade de tocar aí.
- Os quatro têm backgrounds muito diferentes. Como é juntar tudo isso em palco?
Mary – Quando estamos a actuar gostamos de nos divertir e de utilizar os nossos diferentes estilos, bem como mudar de papéis. Isso é o que provavelmente traz um certo dinamismo aos nossos concertos.
- A moda tem uma importância especial para vocês? E quanto à tecnologia, é crucial no vosso trabalho?
Mary – A moda é importante mas é apenas uma parte do nosso projecto. Em conjunto com artes visuais, cinema, teatro e muitas ressacas. Quanto à tecnologia, sim, ajuda-nos imenso tanto na música como na performance.
