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Residentes de barracas agredidos

December 29, 2010

Três moradores de uma habitação precária na Ilha Verde foram ontem atacados por cinco homens que, segundo familiares das vítimas, são trabalhadores envolvidos nas demolições. A polícia deteve dois suspeitos.

Stephanie Lai

Os trabalhos de demolição das barracas do bairro da Ilha Verde ficaram ontem marcados por uma onda de violência contra moradores de uma das habitações precárias. O ataque resultou em três feridos, um deles grave. Dois homens, vestidos com coletes reflectores, habitualmente usados por trabalhadores da construção civil, foram detidos por alegado envolvimento nas agressões.

De acordo com familiares dos moradores feridos, a investida foi conduzida por funcionários contratados para demolir as barracas. A acusação é, no entanto, rejeitada pelo proprietário do terreno que, em declarações ao canal chinês da TDM, garantiu que não havia trabalhadores da empresa envolvidos no ataque. O responsável afirmou ainda que, durante os confrontos, os funcionários estavam a conduzir as operações de destruição de uma outra habitação precária do bairro. Os trabalhos de derribamento da barraca onde moram as vítimas ainda não começaram.

O presidente do Instituto de Habitação já reagiu ao caso. Tam Kuong Man, também citado pela estação de televisão, afirmou que seria possível que o contrato assinado com o empreiteiro fosse rescindido caso a situação se volte a repetir.

Segundo uma testemunha, que recolheu imagens do incidente, a violência arrancou por volta das 10h30 de ontem, quando três homens, entre os 40 e 50 anos, moradores de uma das barracas situadas nas traseiras da Escola da Ilha Verde, foram agredidos por cinco homens. Os indivíduos, referiu ainda a testemunha, usavam máscaras de protecção e estavam munidos de pés-de-cabra.

Depois da agressão, três moradores – um deles com ferimentos graves – foram encaminhados para o hospital para receberem tratamento. Ainda no local do incidente, dois homens foram detidos por alegado envolvimento no caso: são suspeitos de terem fornecido as ferramentas de construção alegadamente usadas nas agressões e dado ordens aos cinco homens para atacarem os residentes da barraca.

Ao PONTO FINAL, Polícia de Segurança Pública (PSP) informou que os dois suspeitos detidos – que negaram qualquer envolvimento nos confrontos – continuam sob custódia. O caso será entregue, “em breve”, à Polícia Judiciária para mais investigações. As autoridades ainda não conseguiram encontrar o rasto dos cinco homens suspeitos de terem agredido os moradores.

Os confrontos nas operações de demolição das barracas da Ilha Verde têm sido frequentes nas últimas semanas e foram já censurados pelo deputado pro-democrata Au Kam San, no período antes da ordem do dia da Assembleia Legislativa. A PSP diz que vai reforçar o patrulhamento na zona e ainda que “é possível” que venha a enviar mais agentes para a esquadra do bairro.

Novo Macau pede realojamento e investigação

A Associação Novo Macau (ANM) entregou, na passada segunda-feira, uma petição junto do Governo para exigir o realojamento imediato dos habitantes do bairro de barracas da Ilha Verde, cujas casas estão a ser alvo de demolição num processo controverso. A ANM pede também uma investigação para que se apure de que forma o empreiteiro responsável por derrubar as habitações precárias está a executar a tarefa para a qual foi contratado pela Administração. A petição foi também remetida à Polytec Asset Holdings Limited, empresa-mãe do promotor da demolição. No documento, a organização presidida por Jason Chao recorda que acções de desocupação e realojamento “não são novas na história de Macau”, e defende que estas deveriam ter ocorrido com recurso a autorização judicial. Além disso, diz a ANM, os bens dos moradores deveriam ter sido inventariados e transferidos para outro local antes de ter tido início o derrube das casas. A associação defende também que as indemnizações oferecidas aos moradores da Ilha Verde, em 1995, para abandonarem o local não são justas. De acordo com a ANM, a compra das unidades de habitação económica proposta aos moradores da Ilha Verde não satisfaz, porque estas representam custos próximos dos preços praticados pelo mercado. Já à Polytec, a ANM exige que zele pelo cumprimento das obrigações legais de compensação aos residentes.

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