A pensar nas próximas medalhas
O Instituto do Desporto já está com os olhos postos nos Jogos Asiáticos de 2014. Macau vai apostar na profissionalização e na formação de atletas de elite, promete Alex Vong.
Catarina Brites Soares
Macau vai investir na profissionalização dos atletas. Quem o diz é o presidente do Instituto do Desporto (ID), Alex Vong. As promessas para melhorar o desempenho desportivo da RAEM surgiram depois da conquista de seis medalhas nos últimos Jogos Asiáticos, em Cantão.
“O profissionalismo é indispensável para elevar o nível de resultados de Macau”, vincou Vong, no jantar de recepção da comitiva de mais de 200 membros que participou na 16ª edição dos Jogos Asiáticos, que terminou no passado sábado.
“É esse o caminho”, frisou ao PONTO FINAL o vice-presidente do ID, José Tavares. “Agora temos condições para incentivar os atletas a deixarem o amadorismo e singrarem na carreira profissional”, desenvolveu.
O Governo, explicou Tavares, já atribui 10 mil patacas mensais aos atletas que treinam 24 horas por semana, e quatro mil aos desportistas que cumprem 12 horas de treino semanais.
O apoio na formação dos atletas, a divulgação e o aumento dos subsídios para as modalidades que alcançaram bons resultados em Cantão foram algumas das promessas avançadas ontem pelo ID. O wushu e o karaté continuarão a ser, por isso, as grandes apostas do território, mas o vice-presidente do ID, José Tavares, ressalvou que há outros desportos a merecer atenção, nomeadamente o salto para água. “Esta modalidade só começou a existir quando se construiu o complexo da piscina olímpica, há sete anos. Foi um trabalho muito bem conseguido. A nossa atleta só ficou atrás de duas desportistas chinesas, que são as melhores do mundo”, salientou o responsável.
A modalidade deverá ter em breve um pavilhão anexo para treino específico fora de água, adiantou José Tavares, explicando que o ID resolve assim uma das principais carências dos praticantes do mergulho desportivo.
A criação de um centro de formação de atletas de alta competição, que servirá também para a realização de estágios (cuja conclusão está prevista para 2014), acrescentou o responsável, será mais um contributo para incrementar o nível do desporto local. José Tavares reforçou que a camada jovem “tem de ser muito bem preparada desde início”.
A opinião dos amadores
Para o atleta de wushu que conquistou a medalha de ouro – a primeira desde que o território se estreou nos Jogos Asiáticos, há 20 anos –, o profissionalismo é um estímulo para conquistar os objectivos que já traçou: “Os melhores resultados são sempre o que procuro, sendo ou não profissional”, afiançou Jia Rui.
As medalhas de ouro e de prata, alcançadas pela selecção de wushu, e as quatro de bronze, conquistadas por atletas de karaté e do salto para a água, são, para Jia Rui, “provas” de que o “desporto de Macau em geral já atingiu o nível do de outros países asiáticos.”
Paula Carion subiu ao terceiro lugar do pódio em Cantão – outros três atletas de Macau conseguiram semelhante proeza. “Há quatro anos, nos Jogos em Doha, também ganhei a medalha de bronze, e disse ao meu treinador que iria participar nos próximos Jogos Asiáticos e fazer tudo para alcançar os mesmos resultados. Consegui.”
Carion confessa, no entanto, que a idade já não lhe permitirá desfrutar da vontade firmada pelo ID. “A aposta no desporto profissional é uma das metas pela qual tenho lutado nos últimos dez anos. Fico contente que os meus colegas tenham essa oportunidade”.
Apesar dos 28 anos e das lesões, Paula Carion ainda tem esperanças de rumar a Incheon, para os Jogos Asiáticos de 2014. “Vou ter de esperar para ver se resolvo as lesões”, rematou.
Choi Sut Ian atingiu a terceira posição, nos saltos para água a partir da plataforma de três metros, ficando apenas atrás de duas representantes do Continente. “Dei o meu melhor, mas nunca pensei em conquistar a medalha.”
