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“Sócrates ignorou o maior investimento português em Macau”

November 30, 2010

O empresário Paulo Maló diz que convidou o primeiro-ministro José Sócrates a visitar a sua clínica, mas não teve resposta. Não esconde a desilusão em entrevista ao Expresso.

Gilberto Lopes*

Paulo Maló, dono da Malo Clinic, o maior grupo dentário português, orgulha-se de ter em Macau o que classifica como “a mais inovadora clinic spa do mundo”, mas critica o facto de o primeiro-ministro José Sócrates ter ignorado “o maior investimento português em Macau”, durante a visita feita ao território há duas semanas, para participar na reunião ministerial do Fórum Macau.

“Não me pareceu bem e só desculpo por acreditar que o primeiro-ministro não sabe quem somos e a relevância que temos no mundo. Não deve ser culpa de José Sócrates, mas do staff que o rodeia”, disse ao Expresso o empresário, que já investiu em Macau 45 milhões de dólares.

“Compreendo que tenha uma vida muito ocupada, mas Portugal é líder no mundo em implantes dentários e medicina cosmética e o primeiro-ministro não conhece isso”, acusa o líder do Grupo Maló.

“Fizemos o maior investimento português em Macau depois do 25 de Abril de 1974, estamos a desenvolver um programa agressivo de expansão na China, somos, por excelência, uma empresa de alta tecnologia – que é isto que deve caracterizar o investimento português no estrangeiro, não somos um fornecedor de sapatos ou de rolhas – somos o maior medical-spa do mundo. Por todas estas razões seria normal que o primeiro-ministro nos visitasse, dando visibilidade ao nosso projecto”.

E acrescenta: “Uma alta individualidade portuguesa vem a Macau e não quer saber da Malo Clinic Spa. Não gostei e estou muito agastado com isso. Não há desculpas, pois houve contactos com o seu gabinete e o cônsul-geral de Portugal em Macau”.

Paulo Maló, que reconhece que Portugal não tem um plano de apoio à internacionalização das empresas nacionais, está a desenvolver contactos para a expansão na China. “Não posso dizer que vamos abrir em 2011, pois as coisas na China são sempre demoradas, mas o processo já arrancou e no próximo ano deve ficar tudo definido”, revelou ao Expresso.

Em Macau, o primeiro ano de funcionamento deve representar um volume de negócios de três milhões de euros, que deverá subir para cinco milhões em 2011. O Malo Clinic Spa de Macau emprega já 130 pessoas, entre médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal de apoio.

Tóquio em Março

Depois de Macau, o estomatologista vai abrir um spa médico em Tóquio, onde investirá 15 milhões de dólares norte-americanos. “As obras estão já a decorrer. Vai ser na célebre zona de Ginza, uma espécie de 5ª Avenida ou Champs Elysées. Devemos abrir em Março”, afirma o médico, que acredita que o seu conceito responde, cada vez mais, à exigente classe média-alta de países como o Japão, a Índia, a Coreia ou a China.

*in Expresso

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