Maratona já tem recorde
As três provas integradas no programa da Maratona Internacional de Macau já têm recorde de inscrições: perto de quatro mil. O contingente africano é favorito para a corrida de domingo.
Vítor Rebelo
A edição de 2009 já tinha proporcionado um recorde de presenças, com a inscrição de três mil e setecentos concorrentes para as três provas organizadas no âmbito da Maratona Internacional de Macau. Este ano, para as competições do próximo domingo, contam-se mais cerca de trezentos participantes.
O evento de atletismo de fundo parece por isso estar a crescer de ano para ano, não obstante a concorrência forte de inúmeras provas do género e com muito mais dinheiro para gastar, chamando atletas mais credenciados.
No ano passado, inscreveram-se 631 concorrentes na prova principal, representando 38 países ou regiões, a que se juntaram 1394 para a meia-maratona e perto de 1700 para a mini-maratona – corrida de apenas seis quilómetros e, por isso, ao alcance de quase todos que se queiram associar a esta festa anual do atletismo de estrada da RAEM.
“São para já boas notícias, estas, relativas ao número de pessoas inscritas nas nossas provas. Quatro mil registos – sensivelmente, nesta altura – asseguram novo recorde de participação, o que é um excelente sinal de que os interessados são cada mais. Por outro lado, está a resultar o sistema de inscrição online”, realça José Tavares, vice-presidente do Instituto de Desporto de Macau, entidade que superintende na organização das corridas, juntamente com a Associação de Atletismo.
Patrocínios
De há uns anos a esta parte, o evento de atletismo de fundo recebe um apoio significativo da concessionária do jogo Galaxy, o que possibilita a manutenção de alicerces fortes em termos de futuro, uma vez que o contrato celebrado garante patrocínio para vários anos. Esta maratona internacional, aliás, foi a primeira grande organização de desporto internacional em Macau a chamar a si um patrocinador de peso.
Os dirigentes do IDM têm vindo a apelar a outras empresas, ligadas ou não à indústria do jogo – mas, fundamentalmente, estas – para que se interessem cada vez mais pelo desporto, garantindo a continuidade das iniciativas que colocam Macau no mapa, em diversas modalidades.
Um dos casos de menor sucesso foi o Open de golfe, que não conseguiu um patrocinador de peso e acabou por “cair” , pelo menos na edição de 2010.
A Maratona Internacional é por isso um caso de parceria feliz e duradoura, entre o IDM e a Galaxy, apesar de isso não significar um grande aumento do valor dos prémios monetários.
Prémios médios
Os organizadores preferem, pelo menos por enquanto, garantir a continuação da prova, independentemente dos prémios serem ou não elevados.
Naturalmente, a Maratona Internacional de Macau, na qual se incluem as corridas da meia-maratona e da mini-maratona, não pode concorrer com competições que distribuem ‘cachets’ a atletas credenciados mundialmente. Mas tem chamado, nos últimos anos, fundistas de nível médio, sem ‘cachets’, com estatuto de atletas convidados, o que significa o pagamento de passagem aérea e alojamento e provavelmente algum ‘pocket money’ para despesas no território.
Um dos principais incentivos, para além dos 15 mil dólares norte-americanos de prémio pela vitória (6 mil para o segundo e 3.500 para o terceiro, tanto no sector masculino, como feminino), é a oferta de um outro montante (10 mil dólares norte-americanos) caso o vencedor bata o recorde da prova (actualmente fixado em 2:15:06), e um outro prémio de 3.500 dólares para todos aqueles que registem marcas inferiores a 2 horas e 17 minutos. Isto, para além de cheques mais pequenos para outras posições mais baixas e até para os representantes de Macau, que têm 10, sete e cinco mil patacas, respectivamente, se ocuparem os três primeiros postos entre os fundistas do território.
Campeões regressam
No meio destas ofertas – na verdade pobres se comparadas com, por exemplo, as famosas maratonas de Nova Iorque, Boston, Londres, Chicago, Fukuoka, Berlim, etc, que distribuem rios de dinheiro (até mesmo só pela presença) –, há sempre muitos concorrentes de “segundo plano” que não perdem a oportunidade de se deslocarem a Macau.
“Garantimos já a participação dos dois vencedores de 2009, em masculinos e femininos, o que é importante para o prestígio da Maratona Internacional. Para além disso, há como sempre vários outros atletas convidados, de vários países que vão certamente tornar a competição interessante”, salientou ao PONTO FINAL, José Tavares, que diz esperar bons tempos. “Há vários maratonistas com marcas razoáveis e portanto é bem possível que a prova seja uma das melhores dos últimos anos. Oxalá o tempo ajude.”
Em Macau, a humidade e o vento constituem os principais obstáculos aos atletas, o que muitas vezes impede que melhores tempos sejam estabelecidos e surpreende especialistas nestas andanças, que não esperam níveis tão altos de humidade.
Daí que os “repetentes” levem alguma vantagem, uma vez que já sabem como gerir os 42 quilómetros e 125 metros do percurso.
O ucraniano Mykhaylo Iveruk vem defender o título no sector masculino, alcançado em 2009, quando conseguiu a marca de 2:17:45, à frente de três quenianos – Micah Kipserem Chuma (2:17:51), Jusius Kibet Mebur (2:17:58) e Frimin Kiplagati Kipchoge (2:18:01).
Nas senhoras, o triunfo coube à etíope Roman Gebre Gessese (2:37:08), mais rápida do que a chinesa Lili Yuan (2:41:44) e do que a polaca Agnieszka Janasiak (2:42:09).
No que diz respeito à meia-maratona, as vitórias aconteceram para o lado do Quénia nos homens (Timothy Kibet Chelimo, 1.08.24) e de Hong Kong nas mulheres (Chi Ling Mok, 1.30.17).
Para a Maratona Internacional, e falando dos mais credenciados, ou seja, os atletas convidados pela organização pelo facto de possuírem os melhores tempos do ano, continua a haver favoritismo em relação à “armada africana”. Muitos deles são por vezes desconhecidos e aparecem um pouco em segredo, batendo os mais fortes candidatos. Da Tanzânia, por exemplo, virá Samson Ramadhani, maratonista com 2:08:01, o que assusta qualquer um. De Portugal, Lino Barruncho, uma incógnita. E, na corrida feminina, uma das mais cotadas é sem dúvida a etíope Ashu Kasim, com o tempo de 2:25:49.
Estão reunidas assim as condições para uma boa corrida, na qual sempre se espera ver cair o recorde de percurso, que se encontra na posse do etíope Yemane Tsegay Adhane (2:15:06).
Alguns desvios
Quanto ao percurso, o vice do IDM diz que mais uma vez houve necessidade de fazer algumas alterações. “[Houve] alguns desvios, mas nada de muito profundo. É quase o mesmo trajecto do ano passado, com os atletas a terem de se deslocar duas vezes a Macau.”
As três provas têm início às seis da manhã do próximo domingo, no interior do Estádio da Taipa, local onde se verificará igualmente a chegada.
O maior contingente de concorrentes vem da região vizinha de Hong Kong, como acontece habitualmente. “Mas cada vez mais há gente de outros lados, como por exemplo do Japão. Queremos continuar a desenvolver contactos com os serviços de turismo para que seja possível trazer atletas de mais países”, faz notar José Tavares.
Relativamente aos atletas de Macau, destaque e expectativa em relação a Hoi Long, desportista surda-muda de grande popularidade no atletismo local, que ainda recentemente foi quarta classificada na prova de triatlo feminino dos Jogos Asiáticos de Cantão.
