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Design escandinavo com um toque chinês

November 29, 2010

Representantes de oito empresas dinamarquesas de design estiveram em Macau para conhecer o mercado e fazer negócio. Na sexta-feira contaram com o apoio da realeza numa recepção feita onde querem estar: nos hotéis do território.

Hélder Beja

Imaginemos que uma estante da sueca IKEA se fundia com um móvel chinês ou que as secretárias e cadeiras tão conhecidas pelo design minimalista eram enriquecidas com uns quantos berloques, estampados de dragões e coisas afins. De certeza que os designers dinamarqueses que visitaram Macau – e cujos produtos alinham pelo mesmo padrão escandinavo dos da IKEA – terão ideias muito melhores que estas. Mas, em traços gerais, é isto que o director criativo da Seidenfaden Design, Troels Seidenfaden, quer atingir: “Design escandinavo com um toque chinês”.

Troels Seidenfaden foi um dos representantes do design dinamarquês que esteve em Macau na passada semana e que, na sexta-feira, marcou presença numa recepção ao príncipe Joachim Holger Waldemar Christian e à princesa Marie Odile Agathe Cavallier da Dinamarca. O acto decorreu no novo Mandarim Oriental, ao NAPE, e serviu para falar de design.

“Fui convidado pelo Governo dinamarquês e vi uma grande oportunidade no mercado hoteleiro de Macau e Hong Kong. Estes lugares podem ter um design único nos seus hotéis. Os projectos aqui são de tal escala que é possível fazer um design único para cada um deles e, a partir daí, expressar o perfil e a cultura da empresa através de coisas como uma mesa ou um copo de vinho”, refere o director criativo da Seidenfaden Design, que produz uma vasta linha de produtos específicos para cada cliente.

Troels Seidenfaden compreende a clivagem entre o traço limpo do design escandinavo e aquilo que é possível apreciar nos hotéis do território. Isso, no entanto, não o desencoraja quanto à entrada da empresa no mercado. “O que fazemos é uma pesquisa dos nossos clientes, em que tentamos perceber o seu DNA – a cultura, a história – e colocamos esses valores no projecto de design que desenvolvemos. Através de uma plataforma escandinava, pegaremos em valores da China e poderemos criar uma fusão”, garante.

Sobre o estilo das actuais unidades hoteleiras de Macau, o criativo refere que “é preciso ter em conta a cultura”. “Posso ver que todos os grandes hotéis têm uma mistura de estilo europeu e contemporâneo com os elementos chineses”, comenta. O que Seidenfaden gostava de acrescentar a tudo isto era “um pequeno toque escandinavo, um pouco mais de simplicidade, de facilidade de compreender, de design puro”.

Questão cultural

Os discursos de Troels Seidenfaden e do príncipe Joachim alinham-se para dizer que, na Dinamarca, o design faz parte do dia-a-dia e da cultura de cada cidadão. “As pessoas da minha geração sempre conviveram com coisas como as cadeiras de Arne Jacobsen [designer que criou a cadeira-ovo] ou o candeeiro PH [modelo criado pelo designer dinamarquês Poul Henningsen na década de 1920]”, diz o director criativo que “gostava de poder ajudar as pessoas chinesas a reconhecerem o valor do design, para que se rodeiem de bons produtos e se sintam bem junto deles”.

O representante da realeza dinamarquesa tem a mesma opinião: “O design é parte da nossa vida, não é apenas qualquer coisa de que nos orgulhemos: é um grande factor de exportação”. O príncipe Joachim da Dinamarca, que está na linha de sucessão ao trono, já visitou várias vezes o território e nota que “Macau mudou e as pessoas vêm aqui pelos casinos, pela experiência de conhecer a Las Vegas da Ásia, que agora é maior que Vegas”. O negócio dos hotéis “está a crescer”, continua, e “a maneira de poderem marcar a diferença é criando qualquer coisa única com a sua marca”. É por isso que “o design da Dinamarca pode ter um papel importante”, defende.

Este “lugar especial e de excelência”, como lhe chama o príncipe Joachim, merece que aqui sejam “desenvolvidos conceitos especiais”, até porque “é visitado anualmente por mais de 25 milhões de turistas que vêm do Continente”. “É preciso saber tornar-se atraente para um novo público. Um público que quer ser surpreendido. E o modo como os hotéis trabalham o seu design pode ser o caminho”, sustenta. Para o membro da realeza, que visitou Macau e Hong Kong, “esta é uma hipótese única para o design dinamarquês estar na China, para estabelecer relações futuras”.

Estar em Macau a breve prazo

A empresa Seidenfaden Design, de Copenhaga, já tem vários negócios na China e quer estabelecer-se na RAEM nos próximos dois anos. “Podia ser interessante ter um parceiro local, mas decidimos vir aqui há oito anos pela primeira vez e desenvolvemos a nossa rede de contactos. Espero que num futuro próximo possamos ter a nossa própria presença”, revela Troels Seidenfaden. O director criativo da companhia dinamarquesa considera que chegou o momento: “Estamos prontos e somos suficientemente grandes para abrir um escritório aqui. Talvez já no próximo ano, talvez no ano seguinte, mas esse é um desejo da empresa. Vemos grandes oportunidades em Macau, Hong Kong e em toda a China”. Troels Seidenfaden revelou ainda que a empresa de design está em negociações com a Shanghai Tang para produzir alguns acessórios que estarão à venda nas lojas daquela marca reputada.

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