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Manif contra cortes nos cheques

November 26, 2010

Estão descontentes com a política social do Governo e vão mostrar o desagrado na rua. A Associação de Construção e Armação de Ferro e Aço tem protesto marcado para o próximo domingo.

 

Stephanie Lai

 

Faz parte daquele que será porventura o mais recente movimento de contestação social em Macau e teve um papel activo na conturbada manifestação do Dia do Trabalhador deste ano. A Associação de Construção e Armação de Ferro e Aço da China-Macau (ACAFACM) chamou ontem os órgãos de comunicação social para dar conta da forma como analisa as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2011.

Os membros da associação não ficaram contentes com as ideias de Chui Sai On, sobretudo no que diz respeito às medidas sociais. “Os lucros do jogo cresceram 85 mil milhões de patacas e os salários dos funcionários públicos foram aumentados, mas os nossos vencimentos não, continuam na mesma”, salientou um porta-voz da ACAFACM, atribuindo a culpa do sucedido ao Governo da RAEM. “Mas, pior ainda, houve uma redução de duas mil patacas no plano de comparticipação pecuniária e um corte de quatro mil no regime de poupança central”, exclamou.

Para a associação, estas medidas demonstram que “o que o Governo diz é uma coisa, o que faz é outra”. Além disso, acusam, “é falso que o Executivo seja transparente e trabalhe no sentido de servir a população”.

O mesmo representante ressalvou não estar contra a diminuição do plano de comparticipação pecuniária (o subsídio que, no próximo ano, será de quatro mil patacas para residentes permanentes e de 2400 para não residentes). Acontece que “a decisão foi tomada no momento menos apropriado, porque a nossa situação é muito difícil”, defendeu, lembrando a subida da inflação.

O Governo de Chui Sai On não é o único alvo das críticas da ACAFACM: também o desempenho de “alguns” deputados à Assembleia Legislativa está longe de satisfazer as expectativas dos membros da associação. O porta-voz do movimento não identifica os tribunos que não acolhem os aplausos dos associação – diz apenas “alguns deles não estão qualificados para serem deputados”.

Durante a conferência de imprensa, que se realizou no Jardim do Triângulo da Areia Preta, várias pessoas juntaram-se ao pequeno grupo da ACAFACM e mostraram-se solidárias com o discurso dos contestatários. Será deste ponto da cidade que parte a marcha de protesto do próximo domingo, rumo à sede do Governo.

Questionado sobre a possibilidade da implementação do salário mínimo em Macau – uma das questões abordadas nas LAG para 2011, com o Governo a inclui-la na agenda –, o representante da associação disse que o assunto não faz parte da lista de reivindicações que leva os trabalhadores para a rua. A razão principal é o corte nos cheques anuais implementados na era Edmund Ho.

 

 

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