Ponte entre fundações
Carlos Monjardino e Wu Zhiliang estabeleceram ontem um acordo de princípio referente a um programa de cooperação cultural e editorial. A parceria deverá arrancar já no próximo ano e pretende reforçar o intercâmbio entre Lisboa e Macau.
A Fundação Oriente (FO) e a Fundação Macau (FM) chegaram ontem a um “acordo de princípio” sobre um plano de cooperação na área da cultura – o programa abrange edições de livros, organização de exposições e de seminários. Carlos Monjardino e Wu Zhiliang ainda não assinaram nenhum documento, mas está previsto que a parceria arranque no próximo ano.
O entendimento entre as duas fundações foi revelado ao PONTO FINAL pelo presidente da FO, Carlos Monjardino. Ainda que não exista nada no papel, “as duas partes concordaram” em estabelecer uma cooperação, que deverá “começar em 2011”. O intercâmbio assenta essencialmente na organização e no financiamento de iniciativas conjuntas.
Edições de livros, lançamentos de exposições, organizações de espectáculos e programas de fóruns, colóquios e conferências são algumas das acções culturais que poderão passar a ter a assinatura das duas fundações. A ideia é que a estratégia de cooperação reforce o dinamismo do eixo Macau-Portugal/Europa-China, onde se espera que as duas partes entidades tenham “um papel muito activo”.
Ainda em Agosto, o presidente da FM confirmou a este jornal o interesse de estabelecer uma parceria com a FO. “Por um lado, tem a sua origem em Macau; por outro, está a contribuir para o intercâmbio entre Portugal e a China (e está muito bem posicionada para o fazer)”, assim falou Wu Zhiliang sobre o organismo liderado por Monjardino. O historiador afirmava já que tinha “todo o gosto” em formalizar a cooperação e destacou os pontos em comum entre as duas fundações. “Nas áreas cultural e editorial podemos fazer bastantes coisas. A FO tem publicado muitas fontes e estudos sobre Macau e nós também – mas em chinês. Como historiador, gostaria de fazer mais esforços para aproximar as comunidades científicas portuguesas e chinesas. E chegar ao maior consenso possível sobre a história de Macau – para se chegar a um entendimento, é importar traduzir”, referiu Wu. O académico defendeu ainda que “Portugal devia mandar mais artistas para a China e vice-versa”.
Os comentários de Wu Zhiliang surgiram depois de Carlos Monjardino ter afirmado, em Junho, que pretendia estabelecer um acordo com a FM até ao final do ano. Em declarações à Lusa, o responsável defendeu na altura que fazia “todo o sentido que as duas fundações se entendessem e estabelecessem um plano de cooperação”. “Julgo que as condições estão reunidas”, reforçou. Monjardino frisou ainda que os dois organismos têm estatutos “relativamente parecidos” – a cooperação cultural “é, no fundo, o objectivo da fundação”, disse – e destacou que a FM “ganhou um novo ânimo” quando começou a receber 1,6 por cento da taxa de imposto sobre o jogo.
Ontem, Carlos Monjardino esteve presente na inauguração do novo centro para crianças da Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau, presidida por Eliana Calderón. O presidente da FO doou um cheque de cerca de um milhão de patacas.

É muito legal ler em nossa língua, matérias tão interessantes de uma região tão distantes como Macau…paz e saúde à todos desde o nosso maravilhoso Brasil