O PCC quer estabilidade cá em baixo
Os diplomas fundamentais de Hong Kong e Macau são para serem rigorosamente cumpridos. O Partido Comunista Chinês deixa ideias para as regiões e volta a falar em reunificação pacífica com Taiwan.
O Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) propôs uma série de directrizes para o plano de desenvolvimento quinquenal do país em que salienta a manutenção a longo prazo da prosperidade e estabilidade de Macau e Hong Kong.
De acordo com a Xinhua, que deu conta da notícia, o PCC frisa que deve haver uma implementação “firme” dos princípios “um país, dois sistemas”, “Hong Kong governado pelas suas gentes” e “Macau governado pelas suas gentes”, assim como respeitado o alto grau de autonomia de que gozam as duas regiões administrativas especiais.
E diz mais: “A Lei Básica de Macau e a Lei Básica de Hong Kong devem ser rigorosamente observadas, e devem ser feitos todos os esforços para apoiar os chefes dos executivos e os governos das duas regiões”.
O documento foca ainda o intercâmbio com o Continente, com o Comité Central do PCC a defender o aprofundamento das relações de Hong Kong e Macau com a província de Guangdong, com vista “à promoção do desenvolvimento económico regional”.
Seguem-se recomendações quanto a Taiwan. “Deve haver um esforço para que haja um desenvolvimento pacífico entre os dois lados do Estreito de Taiwan e a reunificação pacífica com o Continente” – ideia que, previsivelmente, não será bem acolhida por todos em Taipé.
No documento, defende-se a necessidade de consolidar a base para o desenvolvimento das relações no Estreito e a promoção da comunicação com Taiwan. “A cooperação económica deve ser aprofundada, e fortalecidas as trocas nas áreas da cultura e educação.” A agência oficial chinesa realça que “o Continente irá proteger os interesses legítimos dos compatriotas de Taiwan”.
Da proposta do PCC, a Xinhua destaca ainda a ideia de que a China vai fazer esforços, juntamente com outros países, para “construir um mundo harmonioso em que a paz seja duradoura e a prosperidade seja fruída por todos”.
As ideias do PCC fazem parte do 12º Programa Quinquenal para o Desenvolvimento Económico e Social da China (2011-2015), ao qual a Xinhua teve ontem acesso na íntegra. Foi esta a proposta redigida há cerca de duas semanas na reunião magna do 17º Comité Central do PCC.
A intenção reiterada de reunificação de Taiwan com o Continente surge numa altura em que Pequim e Taipé voltaram a medir forças em relação à questão da soberania. No passado fim-de-semana, as delegações do Continente e da ilha desentenderam-se quanto à designação da comitiva de Taiwan no Festival Cinematográfico Internacional de Tóquio. O chefe da delegação chinesa ao festival exigiu que Taipé participasse apenas sob a designação “Taiwan, China” em vez do nome “Taiwan”. Já o líder da delegação da ilha recusou aceitar a exigência chinesa.
Representantes de ambos os lados tentaram já resolver a questão – que teve fortes repercussões na ilha, com a opinião pública a manifestar a sua indignação em relação a Pequim.
O porta-voz do Gabinete dos Assuntos para Taiwan da China, Yang Yi, disse ontem que o incidente não corresponde “ao que se gostaria de ver” e justifica-o como sendo “um problema de comunicação entre as partes envolvidas”. “Esperamos que ambos os lados possam evitar lutas internas quando se trata de assuntos externos e que possamos trabalhar juntos para manter os interesses comuns do povo chinês”, acrescentou Yang Yi.
As declarações foram feitas um dia depois de as autoridades de Taiwan terem tentado aliviar a tensão, atribuindo directamente a culpa do sucedido ao responsável pela delegação chinesa, deixando o episódio de ser interpretado como consequência de uma directriz de Pequim.
