Cofre de subsídios
A APIM recebeu 21,4 milhões de patacas para obras no D. José da Costa Nunes e execução de actividades. Só nos últimos três meses, a Fundação Macau, o IAS, a DSAL e o Fundo de Cultura distribuíram um total de 193 milhões pelas associações.
Sónia Nunes
A Fundação Macau (FM) distribuiu, entre Julho e Setembro, um total de 77,4 milhões de patacas em subsídios para 173 associações e particulares – umas casas abaixo dos 218,8 milhões de patacas dispensados no trimestre anterior a um universo de 220 entidades. Pela segunda vez este ano, o organismo liderado desde Julho por Wu Zhiliang não deixou as instituições de matriz portuguesa de fora.
A terceira lista de apoios de 2010 da FM foi publicada ontem em Boletim Oficial e indica que a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) foi quem mais beneficiou da política de subsídios da fundação no último trimestre. Foram atribuídos à APIM 12,420 milhões de patacas – o montante diz respeito à segunda prestação para “custear parcialmente as despesas com a remodelação, manutenção e aquisição de equipamentos para o prédio do jardim de infância D. José da Costa Nunes”. A este valor somam-se mais nove milhões de patacas destinados ao financiamento das “actividades anuais e funcionamento” da APIM, do infantário, do Conselho das Comunidades Macaenses e da Confraria da Gastronomia Macaense.
Também a Escola Portuguesa de Macau – que vai perder a participação de 49 por cento da Fundação Oriente – foi subsidiada. O estabelecimento de ensino recebeu 250 mil patacas, que asseguraram parte das despesas do “11º programa de aperfeiçoamento linguístico” da EPM. Em Agosto, Wu Zhiliang referiu, em entrevista ao PONTO FINAL, que o Executivo estava a estudar um modelo de apoio à escola, sendo que a entrada da FM como parceira accionista da EPM é matéria que “depende da decisão do Governo”.
O leque dos apoios da FM às instituições de matriz lusa fecha com o Instituto Português do Oriente: 200 mil de patacas para financiar a “aquisição de equipamentos pedagógicos”.
Caridade e saúde privilegiadas
Voltemos à casa dos milhões. A FM (que tem direito a 1,6 por cento do imposto directo sobre o jogo) foi generosa com as instituições religiosas. As Filhas de Maria Auxiliadora (Irmãs Salesianas) receberam nove milhões de patacas para “reconstrução do bloco B do prédio pedagógico de Chan Sui Ki Perpetual Help College”. Já as Filhas Canossianas da Caridade conseguiram quatro milhões para custear as “obras de manutenção e alargamento, e aquisição de equipamento do Asilo Santa Madalena”.
Os projectos de construção e a prestação de serviços foram também as justificações para a injecção de capital na Associação Geral das Mulheres de Macau: 3,45 milhões de patacas para a “reconstrução da sede situada na Rua da Barca” (quinta prestação); e 1,811 milhões destinados à “aquisição de equipamentos para o Edifício dos Serviços Integrados”.
Julho e Agosto foram os meses quentes da revisão das carreiras da saúde. Foi também um período em que a FM subsidiou quatro instituições da área: foram concedidos 2,5 milhões à Macau Healthcare Management and Promotion Association (para a realização do Congresso Mundial de Endoscopia, que começa amanhã, e da sessão anual de cirurgia de Hong Kong e Macau); 100 mil patacas para a Associação dos Médicos de Saúde de Macau (destinadas à reunião anual do organismo e a um conferência); 490 mil para o Instituto de Enfermagem do Kiang Wu (despesas de actividades); e 100 mil para Associação Oncologia de Macau (também justificados com a organização de dois seminários).
A cooperação entre Macau e Taiwan está na ordem do dia e é também visível na lista de apoios da FM – 1,3 milhões foi o subsídio atribuído ao Conselho Regional de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China, ainda para execução do plano de actividades. Também a Associação de Convenções e Exposições voltou a ser beneficiada este ano, desta feita com um apoio de 590 mil patacas.
Há ainda os 2,8 milhões de patacas canalizados para o Centro de Pesquisa Estratégica para o Desenvolvimento de Macau; os 3,4 milhões para a Associação de Amizade da China em Macau (gastos em visitas de estudantes e jovens empresários a “bases de navegação astronauta” no Continente); e a extensa atribuição de subsídios nas casas das centenas de milhar para actividades culturais – edições de livros, exposições, cerca de 40 óperas chinesas (cada uma com direito a oito mil patacas) e oito milhões entregues à Fundação da Deusa A-Má para realização de um festival de homenagem à deusa. E há ainda uma fatia de 490 mil patacas distribuída à Associação de Empresárias de Macau para a organização do “Amor em Macau – 3ª Edição do Casamento Colectivo 2010”.
DSAL renova apoios aos grupos do 1º de Maio
A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) voltou a atribuir subsídios às quatro associações de trabalhadores que estiveram na origem dos confrontos do Primeiro de Maio e criaram o hábito de ameaçar as instituições do Governo com disparos de ovos. No último trimestre, a frente contestatária que conta com os activistas Lee Kin Yun, Lei Siu Kan (detido no Dia do Trabalhador) e Wong Piu Lam como líderes de cada grupo recebeu, no total, 40 mil patacas para “custear despesas de realização de actividades”. A Associação Geral dos Operários de Macau continua, porém, a ser a figura de proa da política de subvenção aos grupos laborais – 7,6 milhões de patacas destinadas a “despesas de funcionamento e realização de actividades”, contra a soma bruta de oito milhões distribuídos por 19 organismos.
Instituto de Acção Social distribuiu 104,2 milhões
Entre Julho e Agosto, o Instituto de Acção Social canalizou 104,2 milhões em subsídios partilhados por associações de assistência à população (a lista ocupa 48 páginas). O organismo apoiou mais de sessenta creches e lares, entre vários grémios comunitários, unidades de apoio à família e centros de reabilitação social. Os organismos tradicionais (que são também os que têm uma rede de prestação de serviços mais consolidada) foram os mais beneficiados. A Associação das Mulheres recebeu, no total, cerca de um milhão de patacas; a Obra das Mães mais de 800 mil e os Kai Fong, 493 mil.
