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O primeiro banco chinês a chegar a Portugal

Outubro 11, 2010

Já tem acordos com o BCP, com o BES e teve com a Caixa. Mas quer impor-se sozinho em Portugal, depois de chegar a Espanha. É o ICBC, o maior do mundo.

 

João Paulo Meneses

 

O Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, como é conhecido internacionalmente) pretende abrir uma sucursal em Portugal, provavelmente já no próximo ano, tornando-se assim o primeiro banco chinês a instalar-se em Portugal.

Aliás, o ICBC, por via da sua dependência de Macau, já é nesta altura o único banco chinês com escritório em Lisboa, embora a actividade – como escritório de representação – seja bem mais reduzida do que aquela que terá quando obtiver a licença para abrir uma sucursal.

A chegada do ICBC a Portugal deu-se por via da aquisição que este gigante chinês fez do banco Seng Heng, de Stanley Ho. Aquando da aquisição, o Seng Heng já tinha obtido a autorização (desde 2006) para abrir o escritório de representação em Portugal, pelo que se tratou de ‘herança’ simples (por curiosidade, o escritório continua nas mesmas instalações da era Stanley Ho e o seu responsável, António Santos Ramos, é também o mesmo).

As intenções de Stanley Ho passavam não tanto por um mero escritório de representação, mas por alargar a capacidade do Seng Heng à actividade plena, não apenas em Portugal mas também aos países lusófonos. O líder da STDM chegou mesmo a dizer, em 2007, que esses eram também os planos do ICBC.

Esses planos ficaram congelados com a venda ao ICBC, mas – apurou agora o PONTO FINAL – pretendem ser recuperados e dinamizados.

Nos próximos meses devem vir a Portugal a vice-presidente do ICBC em Pequim e o presidente da estrutura de Macau, para acelerar esses planos.

 

Acordo com a Caixa sem efeito

 

Mas o ICBC não tem estado parado relativamente ao mercado português. Pelo contrário, este que é considerado o maior banco chinês (se medida a capitalização bolsista) conseguiu um feito inédito relativamente ao sistema financeiro português – e provavelmente na própria Europa.

Primeiro, ainda pela herança do Seng Heng e depois por iniciativa própria, o ICBC conseguiu, em cinco anos, fazer acordos com três dos quatro maiores bancos portugueses: Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP e Banco Espírito Santo [só falta o BPI, que tinha um acordo com o Banco da China].

O memorando de acordo entre Seng Heng e a Caixa Geral de Depósitos foi assinado com pompa e circunstância, entre presidentes, mas dele nada resultou de concreto. Uma fonte oficial do maior banco português explicou ao PONTO FINAL que “de facto foi assinado um memorando com o Banco Seng Heng, na altura em que o accionista maioritário deste Banco era o Dr. Stanley Ho. Porém, com mudança da estrutura accionista e a compra do Banco Seng Heng pelo ICBC, foram, obviamente, interrompidos os contactos que se tinham estabelecido para se desenvolver projectos na China e nos países de língua oficial portuguesa em conjunto”.

 

Parceria com BCP em força

 

Já a parceria com o BCP prossegue em bom ritmo, de acordo com um ponto da situação feito por este banco ao PONTO FINAL.

No último 10 de Junho o presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira, e o presidente do ICBC (Macau), Zhu Xiaoping, assinaram um acordo de cooperação, que possibilita, por exemplo, aos emigrantes chineses residentes nos países lusófonos onde o BCP opera “o envio de remessas para a China em condições mais vantajosas”.

O objectivo é que os clientes dos dois bancos possam vir a beneficiar com este acordo (e o ICBC tem 200 milhões de clientes…).

O Millennium BCP encontrou no ICBC uma porta de entrada na China e na zona Ásia-Pacífico, ao mesmo tempo que prossegue uma estratégia própria, como se viu recentemente com a inauguração da sucursal na RAEM (uma evolução da agência offshore, que não permitia trabalhar a população residente em Macau).

Entretanto, e de acordo com a informação confirmada por este jornal, não é verdade que, como foi anunciado na imprensa portuguesa, o ICBC tenha adquirido uma posição accionista relevante no Millennium BCP.

Já sobre a parceria assinada com o Banco Espírito Santo, não foi possível apurar desenvolvimentos. Sabe-se que o protocolo assinado com o ICBC visava “facilitar as transferências de particulares e apoiar empresas chinesas e portuguesas que queiram investir nos mercados estratégicos do BES e na China, respectivamente”, e que, para um administrador do banco, “há uma comunidade chinesa significativa em Portugal com famílias e interesses em investir na China, bem como empresas chinesas que querem entrar nos mercados africanos e brasileiro, onde o BES tem uma presença muito forte”.

Os acordos do BCP e do BES com o ICBC (Macau) foram assinados no mesmo dia.

 

Primeiro a Espanha

 

No mês passado o ICBC anunciou a sua entrada em Espanha como banco comercial, o que acontecerá depois da Alemanha, Reino Unido, Rússia e Luxemburgo (mas ainda faltam as autorizações das autoridades madrilenas). O ICBC também será o primeiro banco chinês a entrar no mercado espanhol. E tal como acontece com a realidade portuguesa, a abordagem inicial fez-se através de um acordo com um banco local, neste caso o Banco Popular, que permitia vantagens aos clientes na China ou na Espanha.

O ICBC (Macau) é o maior banco da RAEM, com lucros líquidos de 3,65 milhões de dólares americanos (cerca de 2,59 milhões de euros) no primeiro semestre de 2009. Em 2008 adquiriu o segundo maior banco local, o Seng Heng, que era detido em 70 por cento por Stanley Ho.

Já a casa-mãe em Pequim é considerado o maior banco do mundo, se considerada a capitalização bolsista.

É um dos “Quatro Gigantes” da finança estatal chinesa, juntamente com o Banco da China (Bank of China), com o Banco Chinês da Agricultura (Agricultural Bank of China) e o Banco Chinês da Construção (China Construction Bank).

Segundos os últimos números, conta com perto de 400 mil empregados, mais de 16 mil agências na China, mais de 160 filiais no estrangeiro e terá mais de 200 milhões de clientes em todo o mundo.

 

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