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Vão desafiar os melhores

Setembro 30, 2010

Estão prontos para os Jogos Asiáticos e não temem os profissionais. Os atletas locais querem estar entre os primeiros. Para eles, é um orgulho representar Macau.

Catarina Brites Soares

São amadores, mas levam as competições a “sério”. Nem treinadores, nem desportistas gostam de perder tempo com entrevistas porque todos os minutos são para treinar. Os atletas locais que vão estar nos próximos Jogos Asiáticos que se realizam em Cantão dizem que ao peito levam o orgulho de representar Macau. O PONTO FINAL foi falar com alguns jovens do wushu e de mergulho que querem voltar a brilhar.

“Espero chegar à final”, vinca Choi Sut Ian que, pela segunda vez, participa nos Jogos Asiáticos. “Quero ter uma excelente prova”. A atleta de mergulho, 20 anos, vai entrar nas competições de saltos para a água, na prancha de um e três metros – modalidades individual e dupla. Depois da experiência na última edição em Doha, no Qatar, Choi Sut Ian abre o sorriso quando fala da participação nos Jogos Asiáticos: “Estou muito ansiosa por ir de novo”.

Já Ho Si Hang, atleta da Escola de Wushu, confessa: “Qualquer pessoa que participe neste tipo de competições quer ficar entre os três primeiros”. Ho Si Hang não esconde a ambição, mas assume que, durante as provas, prefere esquecer as expectativas. “Se penso muito nos resultados, sinto que bloqueio”.

No Campeonato do Mundo de Desportos de Combate, em Pequim, Ho Si Hang alcançou o quarto lugar. Para atingir resultados a atleta diz que a concentração durante a preparação tem de ser ainda maior. “Se queremos estar ao nível dos outros atletas temos que treinar muito mais, porque eles são profissionais e nós somos estudantes.”

Na última edição dos Jogos Asiáticos, a jovem de 19 anos alcançou o sexto lugar na modalidade de Tai Chi. “Adorei o ambiente”, conta. “Todo o público está com os olhos postos em nós”. Mas não foi só a experiência competitiva que a conquistou. “Senti mesmo a diversidade cultural”, explica a jovem que vai participar pela segunda vez na competição asiática. “Conheci pessoas da Coreia, Japão, China, Taiwan, Singapura, Malásia…”

O colega Jia Rui resume tudo a um sentimento: “Sinto-me orgulhoso de representar Macau e de participar neste tipo de competições”. “Desde pequenos que assistimos aos Jogos na televisão. Agora é como se o sonho se tornasse realidade, independentemente dos resultados”.

Nos Campeonatos de Artes Marciais, Jia Rui alcançou a medalha de ouro em Pequim. Mas quando o questionam sobre a ambição para a próxima edição dos Jogos Asiáticos esconde-se na humildade. “Nada de erros na prova. Já estou muito feliz por estar a treinar com a equipa todos os dias.”

A pressão já se faz sentir, mas para o atleta não faz sentido competir sem o nervosismo miudinho. “Adoro o ambiente de competição, toda a gente nos está a ver. Fico nervoso, mas sem isso não se sente a excitação.”

Os profissionais não assustam

Na Escola de Wushu treina-se três horas por dia, seis vezes por semana. Para Jia Rui “não é muito” – “se compararmos com os atletas dos outros países que treinam oito horas por dia”, explica. No entanto, faz a ressalva: “Todos os que estão aqui são atletas de topo”. “Cada um tem os seus problemas, mas quando estamos a treinar só pensamos no futuro”, salienta o atleta que exalta a cumplicidade do grupo. “Não precisamos de dizer nada, olhamos uns para os outros e compreendemo-nos completamente”, conta o atleta de 23 anos que aos sete foi parar à Escola de Wushu por “causa da mãe”.

Ho Si Sang assume que o ritmo na RAEM é menor, no entanto realça que os sistemas de treino de outros países não dariam resultado no território. “Treinamos uma vez por dia. Na China, por exemplo, treinam três vezes. Mas eles são profissionais e nós somos estudantes”, reforça a jovem que treina desde os 10 anos.

O treinador da equipa, Jeng Tie Ming, concorda que há desvantagens em ser amador, mas defende a comitiva dos 11 desportistas de wushu que representarão o território em Cantão. “Quando estamos em prova temos espírito de atletas profissionais. Quando se está em prova, ninguém nos pergunta se somos atletas em part-time. Compete-se e mais nada”, vinca.

Para Jeng Tie Ming tudo depende dos jovens de Macau: “Se tivermos um bom desempenho, teremos bons resultados”.

O treinador de mergulho da RAEM, Zheng Jia Chun, também não hesita quando se trata de valorizar Chot Sut Ian, a atleta de saltos para água que encontramos durante o treino. “É a melhor em Macau.” Ainda sem ter certezas, Zheng Jia Chun diz que possivelmente serão quatro os atletas de mergulho a marcar presença em Cantão. “Queremos chegar às medalhas, no mínimo, ficar entre os seis primeiros”, vinca.

Faltam algumas condições

Todas as semanas há um grupo de atletas de mergulho que parte para o Continente para ter aulas. “Quando temos uma competição temos de nos preparar melhor e, por isso, vamos à China para termos um treino específico”, refere Choi Sut Ian. A atleta realça que a piscina não chega para conseguir uma boa forma. “Temos falta de um ginásio com equipamentos especiais onde possamos treinar, por exemplo, os saltos.”

No espaço do Wushu, sente-se falta de um centro médico, segundo Jia Rui. “Há imensas pessoas que vêm aqui treinar e não temos nenhum médico”. Além disso, as instalações do ginásio são “velhas”. “Hoje em dia já não é só uma questão de aptidão. Os treinos e os equipamentos influenciam imenso o desempenho dos atletas”, sublinha.

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