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The ShinShins a ‘riffar’ no 798

September 30, 2010

Nasceram em Macau este ano e já estão a crescer para o Continente. The ShinShins vão actuar em Pequim em Outubro. No trio, todos são tudo.

Catarina Brites Soares

O grupo começou há uns meses, mas já se juntava há algum tempo. Os The ShinShins rumam a Pequim, no próximo mês, para actuar na zona dos artistas por excelência. O projecto, disseram ao PONTO FINAL, é para levar a sério, mas não demasiado. Só vale a pena se der prazer.

“É como um sonho”, começa por referir João Gonçalves, para explicar como é ser convidado para actuar na capital. “Como banda é uma experiência óptima. O espaço onde vamos actuar é espectacular, é dos melhores em termos artísticos na Ásia”, acrescenta referindo-se ao 798.

O espaço era uma zona industrial que, durante os anos 90, começou a ser ocupado pela comunidade artística. O concerto dos The ShinShins será numa antiga fábrica metalúrgica, no dia 9 de Outubro. O convite lançado pela Art for All foi mais um reflexo de que, por agora, a experiência está a correr bem ao trio de amigos. “Presentemente têm aparecido oportunidades para tocar, e não só em Macau. Também em Pequim, Hong Kong, Shenzhen, em Zhuhai”, sublinha António Conceição. O músico, mais conhecido por Kiko, reforça: “Não somos músicos profissionais, não precisamos de ganhar o pão. Conseguimos tocar, pelo menos com a regularidade que podemos ter”, acrescenta.

Para Beto Ritchie não podia ser de outra forma que não por divertimento. “Se fosse tocar músicas originais do estilo que toco morria de fome. Ficar em Macau seria um erro muito grande. Não há mercado, Macau não tem futuro para a música”, critica, explicando que em Pequim ou Hong Kong a situação é diferente. “Há várias bandas mais pesadas que a nossa, estilo de rock pesado, e há bastante audiência, tanto que nos convidaram para lá irmos”, vinca, defendendo que a ausência de público chinês nos concertos “tem que ver com falta de interesse”.

A ideia de criar o grupo não foi premeditada, surgiu pelo convívio a jogar bilhar e pela amizade de anos. “Começámos a tocar no estúdio, para nos divertirmos, não para ter uma banda”, conta Beto Ritchie. “Podemos levar a sério, mas não tentamos ser muito sérios”.

João Gonçalves define o grupo – que se encaixa nos estilos “dirty gospel” ou “gutter rock” – como um “projecto solto”. “Temos à vontade juntos e acho que isso se reflecte quando estamos a tocar ao vivo. Mesmo as pessoas ficam mais relaxadas.”

“Tem de ser divertido”, continua. “Não levamos a coisa muito a sério, se não começamos a chatearmo-nos e assim não vale a pena.”

Ainda que espere que Pequim abra mais portas para a Ásia, João Gonçalves explica que a ambição não está no espírito do grupo. “As minhas expectativas é que toquemos bem e que as pessoas gostem, é só isso que eu quero. Não quero ser famoso, rico e que toda gente conheça o nome da minha banda.”

Kiko sublinha: “Para já é um grupo de amigos que gosta de ouvir e fazer música”. Nos The ShinShins todos cantam e tocam, não há lugares fixos. “É um pouco como a nossa vontade, desde que estejamos a fazer aquilo que nos apetece fazer.”

O nome é uma incógnita. Não se lembram como ou por que surgiu.  “Não tem significado, nem sei a origem da palavra, chamámo-nos ShinShins. Se calhar é um pouco como nós, não queremos ser nada”, lança Kiko.

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