No jardim das artes
Gigi Lee cultiva um tema persistente e qualquer momento de distracção faz nascer uma flor. “É algo de muito simples” e é “pintura pura”, diz. São rosas.
Maria Caetano
“O importante é a rosa”, lá diz a canção popular francesa. Gigi Lee concorda. A artista que expõe a partir de hoje no café Jabber do Bairro de São Lázaro tem destas verdades simples, reveladas num espaço botânico que vai deixar de ser segredo. São rosas, apenas rosas – uma série delas pintadas a óleo sobre tela em entretém distraído de fazer passar as horas -, e compõem a exposição “Jardim Secreto”, patente até 30 de Outubro.
“Há bastante tempo que pinto e desenho rosas. Quando a Venessa me convidou, pensei que este café me recorda muito um jardim – é um lugar muito agradável”. O Jabber, de Venessa Cheah, iniciou uma série de sessões com artistas locais, convidados a expor os seus trabalhos e a animar o espaço com performances ao vivo das expressões da sua predilecção. Já por lá passou o fotografo António Mil-Homens, e mais hão-de passar: Kit Kellen, Justin Chiang e Benny Teng são nomes em lista de espera.
Agora é a vez de Gigi Lee, que além de levar a público algumas peças de pintura, pretende executar outras ao vivo, criar uma instalação no local e, também, realizar algumas experiências na cozinha.
As rosas da artista “são todas muito semelhantes”, e são como exercício automático de quem finta o enfado. “Imagino-as e pinto, não há qualquer propósito. Não é que planeie pintar as rosas, mas quando não tenho nada que fazer acabo por desenhá-las de uma forma quase inconsciente. Acabei por descobrir que cada rosa que pinto tem na verdade a sua mensagem”, conta.
As flores são dirigidas a um qualquer “tu”, em diferentes cores. E o que há a dizer destas rosas? São “pintura pura”. “Algumas pessoas estudam a composição da tela, mas não faço isso. Quero apenas resolver o problema de pintar e embrenhar-me no que estou a fazer”. “É algo de muito simples”, reforça.
Cozinha experimental
Quanto aos trabalhos que serão executados ao vivo, Gigi Lee avança que pretende “improvisar num projecto aberto às pessoas”. E desafia: “Podem apresentar sugestões ou mesmo pintar comigo”. “Vou preparar algumas coisas, mas podem trazer materiais que possam ser interessantes para este tema. Tudo será um pouco inesperado”, avisa.
Na cozinha do Jabber, a artista vai também testar-se no improviso, procurando não criar muitas expectativas. Novo alerta: “Gosto de cozinhar, mas não sou grande cozinheira. Por isso, chamo-lhe cozinha experimental. Não sei se as pessoas gostarão ou se será terrível”.
A experiência de pintar no café e junto do público, afirma também, é algo a que não está “muito habituada”. “Mas nesta zona da cidade será uma experiência diferente. Posso ir até lá fora, as pessoas que passam podem ficar curiosas sobre o que estou a fazer. É um forma interessante de partilhar e promover as artes em Macau, de deixar que as pessoas se aproximem de nós”, defende.
Esta será a quarta exposição a solo da autora, depois de “Utopia under the Sky” (Taiwan, 2009), “Babel: Existence and Extinction” (Macau, 2009) e “All About Time” (Macau, 2008). Gigi Lee, formada em Belas Artes em Taiwan e em Cantão, representou também Macau na 53ª Bienal Internacional de Veneza com a obra “Timeless Tunnel” (2009).
