Manifestação sobre rodas
A Associação de Mútuo Auxílio dos Operários prepara um cortejo de motociclos para sair à rua no Primeiro de Outubro. A marcha dirige-se contra Florinda Chan e faz-se com os grupos que estiveram envolvidos nos confrontos do Dia do Trabalhador.
Kelvin Costa
Sónia Nunes
A controversa Associação de Mútuo Auxílio dos Operários de Macau afirma que está a preparar uma manifestação para o Dia Nacional, que se comemora na próxima sexta-feira. Cheong Weng Fat, que chegou a ser detido em Agosto por desobediência à ordem publica, volta a promover uma acção de rua contra a secretária para a Administração e Justiça e conta com o apoio do conjunto de pequenas associações de trabalhadores que estiveram envolvidas nos confrontos do Primeiro de Maio.
A organização do protesto está a cargo de Cheong Weng Fat, o activista que no mês passado fez notícia por atirar ovos e sangue de cão contra imagens da secretária para a Administração e Justiça e do director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. O dirigente associativo refere que o movimento está a preparar uma “marcha lenta anti-Florinda Chan”. O percurso (Cheong não adiantou qual) será assinalado por um cortejo de “motociclos que vão ser conduzidos devagar pelos manifestantes”.
As reivindicações são equivalentes às enunciadas há um mês. “A secretária falhou no cumprimento do seus deveres”, insiste Cheong Weng Fat. O caso da atribuição de dez campas do cemitério de S. Miguel Arcanjo – que está a ser investigado pelo Comissariado contra a Corrupção e pelo Ministério Público –, a “não melhoria da qualidade de vida” e a falta de um calendário para a democratização do sistema político são os motivos que, segundo o dirigente associativo, levam os manifestantes para a rua.
Cheong fala numa mobilização de “mil pessoas”. A Associação de Mútuo Auxilio dos Operários está sob o chapéu da recém-criada Associação de Aliança dos Operários de Macau, ligada ao sector da construção civil e dirigida por Lei Kin Iun – mais conhecido pelos protestos que organiza em nome da Associação Activismo pela Democracia. O grupo inclui ainda as não menos contestatárias Associação de Aliança de Conterrâneos de Cinco Localidades de Guangdong e Associação de Construção e Armação de Ferro e Aço de China-Macau.
Houve já divisões no movimento que resultaram em mais duas associações, uma delas presidida por Lei Sio Kan, detido durante as manifestações do Dia do Trabalhador. O dirigente também diz que se vai manifestar: “Contra os japoneses”, que reclamam a soberania das ilhas Diaoyu, e “por melhores condições de vida e de habitação”, avança. A união refere que a acção de rua vai contar com a “dança de um dragão com dez metros de comprimento”.
O Corpo de Polícia de Segurança Pública diz, no entanto, que apenas “uma associação” informou as autoridades que se iria manifestar a 1 de Outubro. A porta-voz do organismo escusou-se a adiantar qual a associação em causa, mas recorde-se que, em ainda em Julho, a PSP referia que a Associação de Mútuo Auxílio dos Operários estava autorizada a manifestar-se até 15 de Outubro.
A PSP recusou-se ainda a esclarecer que medidas de segurança vão ser tomadas na próxima sexta-feira, alegando que as informações serão reveladas “em breve”. O superintendente Lei Siu Peng já decidiu em Julho que as acções devem decorrer a uma distância mínima de 30 metros da sede do Governo – o máximo que a lei de direito de manifestação permite ao comandante impor.
