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A mão à palmatória

September 28, 2010

Os deputados aceitam os resultados da sondagem feita pela Nova Visão de Macau. Ng Kuok Cheong diz que se a AL quer ser mais popular tem de discutir políticas importantes. O eleitorado está mais exigente, acrescenta Kwan Tsui Hang.

Sónia Nunes

sonianunes.pontofinal@gmail.com

Ng Kuok Cheong, o deputado que a par de Kwan Tsui Hang ficou melhor posicionado na sondagem feita pela Associação Nova Visão de Macau, diz compreender o desinteresse que a maioria dos inquiridos demonstrou em relação ao trabalho da Assembleia Legislativa (AL). Por mais de metade dos assentos não serem atribuídos por sufrágio directo e universal, por os “assuntos políticos mais importantes” não serem debatidos em plenário, justifica.

O inquérito conduzido pela Associação Nova Visão de Macau revelou que 50 por cento dos entrevistados (num universo de mais de 800 pessoas) entendem que o desempenho do hemiciclo é mediano. Apenas 20 por cento dos inquiridos dá nota alta aos deputados, contra os 12 por cento que chumbam o trabalho do hemiciclo – isto apesar de um número significativo de indivíduos (30 por cento) ter admitido que não sabia quem eram os deputados eleitos pela via directa. Os resultados levaram a associação a concluir que a maioria da população está pouco preocupada com os assuntos legislativos e evita pronunciar-se sobre o hemiciclo.

“É normal”, comenta Ng Kuok Cheong. “A AL tem feito algum trabalho, mas não muito. Muitos dos principais problemas não passam pelo hemiciclo”, desenvolve o deputado. A sondagem “reflecte os sentimentos cidadãos que conhecem bem Macau” e mostra aos deputados o que é preciso fazer para alterar a opinião pública. “Por um lado é preciso melhorar as relações entre o Governo e a AL. Por outro, é preciso alterar a estrutura da própria AL. Se todos os deputados fossem eleitos por sufrágio directo e universal haveria mais concorrência. Logo, a qualidade seria maior”, defende o pró-democrata.

As falhas de comunicação entre o plenário e o Governo (sobretudo em relação à agenda da produção legislativa) foram também já declaradas pelo presidente da AL. Lau Cheok Va reconheceu também a inexistência de debates de interesse público, mas ressalvou que a culpa é da vontade dos deputados – nos últimos anos, as moções, apresentadas pelo Novo Macau e Operários, foram sempre vetadas. “Se queremos uma mudança, é preciso que a AL discuta as políticas relevantes, como os grandes projectos de obras públicas. Só aí é que a AL será importante para as pessoas. Até lá, prestam-lhe apenas uma atenção razoável”, reforça Ng.

O deputado foi dos que ficou melhor posicionado na sondagem. “Tive muita sorte. O inquérito saiu no meu dia de anos [no domingo]”, brinca. Os resultados são, porém, relativizados. “Sou dos que trabalha mais, mas não posso dizer que sou o melhor. Talvez se as entrevistas fossem feitas noutra altura, as conclusões fossem outras”, diz. Ainda assim, Ng Kouk Cheong destaca que “é muito bom ter uma associação política neutra que analise o trabalho dos deputados e do Governo” – mesmo que o estudo “tenha ignorado os deputados eleitos pela via indirecta e os nomeados” e ficado “incompleto”. “Seria mais justo se fosse sobre todos”, vinca.

Kwan Tsui Hang também lidera a tabela de popularidade, mas é cautelosa na reacção: “Como deputada devo respeitar a sondagem, mas não vou fazer qualquer comentário pessoal sobre os resultados”, descarta. A dirigente dos Operários faz, porém, questão de afirmar que a “consciência cívica da população está a aumentar” e que os residentes “têm padrões de exigência mais altos em relação ao trabalho dos deputados”. Ela, Kwan Tsui Han, também se vai “esforçar por ser melhor”.

Melinda Chan promete fazer melhor

A candidata da Aliança Pr’A Mudança, que se estreou no ano passado na Assembleia Legislativa, foi das piores classificadas no inquérito da Nova Visão. “Cada sondagem tem a sua metodologia. Não podemos dizer se é justa ou injusta, representa o que os cidadãos acham de mim”, comenta Melinda Chan. A mulher do empresário David Chow destaca que vai ter “as palavras dos residentes em mente” e entende que o estudo é um “incentivo para os deputados reforçarem o papel de fiscalização do Governo”. As críticas, reitera, são “um estímulo para fazer o meu melhor”.

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