Sands adia projecto do COTAI
A Sands China anunciou ontem que a inauguração do seu projecto no COTAI vai ser adiada. A razão? Não há trabalhadores suficientes para a construção do resort. “Devido a questões que ultrapassam a empresa, enfrentámos desafios na contratação de mão-de-obra que precisávamos para que fosse possível cumprirmos os prazos iniciais”, explicou a operadora em comunicado, citado pelo Wall Street Journal.
Ainda segundo a Sands China, a partir do momento em que conseguir reunir o número de trabalhadores necessários, precisará de 16 meses para concluir a primeira fase do projecto. Na nota, a empresa explica que entretanto, dado este adiamento, foi aprovado um orçamento adicional de 100 milhões de dólares americanos para o empreendimento do COTAI. Recorde-se que a operadora tinha anunciado um investimento de quatro mil milhões de dólares americanos.
Há duas semanas, num encontro com a imprensa, o número dois da empresa de Sheldon Adelson tinha reconhecido dificuldades na contratação de mão-de-obra para os lotes cinco e seis do projecto. Michael Leven referiu na altura que quase metade dos postos de trabalho estavam por ocupar – a empresa não estava a conseguir importar mão-de-obra, uma realidade que, constatou, se verifica noutras empresas. “Temos menos mil pessoas do que é necessário. Neste momento trabalham lá 1300.”
O Wall Street Journal realça que o adiamento do projecto reflecte a política adoptada pela RAEM quanto ao recrutamento de trabalhadores ao estrangeiro, que não está a afectar unicamente a Sands China. Já depois das declarações de Leven, o responsável pela Ponte 16, detida maioritariamente pela SJM de Stanley Ho, teceu comentários semelhantes, referindo-se especificamente à mão-de-obra especializada na área da hotelaria. Ainda esta semana, o número dois da Galaxy, Francis Lui, admitiu a escassez de trabalhadores para o projecto que a operadora quer inaugurar já no princípio do próximo ano, também no COTAI. Lui mostrou-se, porém, confiante no apoio do Executivo da RAEM para resolver o dilema.
Lucros quadruplicam
Na notícia ontem publicada, o Wall Street Journal citava Billy Ng, analista da Merril Lynch, que sustenta que a expansão da Sands “é essencial para o COTAI”, acrescentando que os seis mil quartos que o projecto inclui “podem aumentar a oferta de acomodação mais barata e irão ajudar a dilatar o leque de consumidores, levando mais pessoas aos casinos e lojas” da strip entre a Taipa e Coloane.
Mas há mais notícias do universo Sands: os lucros da primeira metade do ano mais que quadruplicaram comparativamente com o mesmo período de 2009, fruto de um forte crescimento das receitas do jogo em Macau. A Sands China, cotada na bolsa de Hong Kong desde Novembro, revelou que Junho acabou com lucros de 250,5 milhões de dólares americanos, uma diferença substancial em relação aos 58,3 milhões contabilizados no ano passado.
A aposta da empresa no mercado de massas – mais rentável que o sector VIP – e a sua estratégia de expansão têm merecido o aval dos analistas, que consideram tratar-se de um sólido investimento a longo prazo.
No entanto, “a performance das acções a breve trecho depende de diversos factores: a resolução do problema de contratação de mão-de-obra, a venda dos apartamentos do Four Seasons e a contratação de um novo presidente para a companhia”, escreveu esta semana o analista da JP Morgan Kenneth Fong.
A empresa continua sem conseguir a aprovação do Governo da RAEM para vender os apartamentos do Four Seasons, que os especialistas avaliam em mais de mil milhões de dólares americanos. Este processo de negociação, refere o Wall Street Journal, tem sido dificultado pelo facto de a empresa não ter um presidente efectivo – Michael Leven desempenha funções interinamente.
Recorde-se que, no mês passado, a Sands China dispensou Steve Jacobs. Entretanto foram contratados dois novos responsáveis (não substituem Jacobs no cargo) que, para o jornal, apresentam a desvantagem de ter “experiência limitada nos negócios de Macau”. Leven explicou, no passado dia 12, que a operadora espera ter um novo presidente, de preferência asiático, no final deste ano.
O Wall Street Journal avançou também que há mais uma mudança no universo de responsáveis da Sands China: Luís Melo foi substituído no cargo por Anne Maree Salt, uma substituição com “efeitos imediatos”.
