Fórum Macau volta a entrar na festa
O Secretariado para a Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa está este ano no Festival da Lusofonia. A semana cultural conta com um orçamento superior a cinco milhões de patacas.
Sónia Nunes
O Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) voltou a incluir o Festival da Lusofonia no programa de actividades, à semelhança do que aconteceu em 2008. Quer isto dizer que a festa vai voltar a ser mesmo um festival – em paralelo com o tradicional arraial de três dias na zona do Carmo torna a correr uma semana cultural que pretende juntar agentes criativos de todo o mapa lusófono e da RPC.
O orçamento canalizado pelo secretariado aproxima-se da verba atribuída há dois anos: “A participação global da despesa será de mais de cinco milhões de patacas”, adianta ao PONTO FINAL a secretária-geral adjunta do Fórum Macau, Rita Santos. A retoma do formato criado em 2008 foi avançada na semana passada pelo Macau Daily Times, que citava o coordenador geral do festival e representante dos Serviços Culturais e Criativos do Instituto para os Assuntos Cívicos Municipais (IACM), António Machado. “Está previsto no programa de actividades do secretariado a organização conjunta com o IACM e os Serviços de Turismo. Vai haver uma semana cultural da China e dos países lusófonos”, confirma Rita Santos. O evento arranca a 22 de Outubro na zona das Casas Museu da Taipa, com o habitual arraial de três dias, durante o fim-de-semana. O programa prolonga-se até ao dia 29, com as actividades da semana cultural patrocinada pelo secretariado.
A participação do Fórum Macau no festival foi suspensa no ano passado – uma decisão lamentada pelas associações lusófonas locais e que resultou num tímido orçamento de 1,5 milhões de patacas. “Foi graças às opiniões e ao apoio dos países de língua portuguesa que a actividade foi incluída. Queremos que a cultura lusófona entre no coração do povo de Macau e dos turistas que nos visitam”, diz a secretária-geral. A semana cultural, continua Rita Santos, pretende assumir-se como uma mostra das “manifestações artísticas” e “dar a conhecer ao público os artesãos e artistas de todos os países lusófonos e da China”. Este ano, vinca, “vai haver a mesma forma de colaboração e de organização conjunta que há dois anos”.
Escritor Honwana vem a caminho
Rita Santos elogia os organismos lusófonos locais pelo “total apoio e disponibilidade” em participar nas actividades do secretariado. “As nossas relações são óptimas. As associações sentem que o Fórum faz parte da família. Isto tem de ser um projecto de todos”, destaca. Os enaltecimentos dirigem-se também à equipa do IACM. “É um ponto fulcral, o centro de coordenação. Sem o apoio deles, não conseguíamos avançar”, acrescenta.
O regresso do formato (efectivo) de festival agrada às associações. “Vai haver um alargamento da parte dos eventos de cariz cultural, o que vai permitir dar uma imagem diferente ao festival. Fica-se sempre com o gosto a pouco na boca. A população gosta muito da festa (é um ponto lúdico que não deve ser diminuído), mas é bom haver também um parte mais artística, mais virada para a literatura ou o artesanato”, observa Amélia António, presidente da Casa de Portugal. Helena Brandão, presidente da Associação dos Amigos de Moçambique, concorda. “Este tipo de participações são sempre bem-vindas. Creio que os meus colegas [dirigentes associativos] pensam o mesmo. A festa só tem a ganhar”, reforça.
O apoio do Fórum Macau, desenvolve Helena Brandão, vai permitir trazer à zona do Carmo “mais entidades culturais” e dar “a possibilidade às pessoas de Macau de conhecerem mais sobre o artesanato, a música, dos países de língua portuguesa”. “É positivo haver maior divulgação dos aspectos culturais. Este modelo pode trazer mais participação dos países”, reforça Amélia António. Para a dirigente associativa houve uma “evolução positiva” de 2008 para este ano.
A Casa de Portugal mantém, por enquanto, a programação em segredo. Já a Associação dos Amigos de Moçambique levanta o véu: “Vamos aproveitar a vinda da artista Suzette Honwana para fazermos uma exposição sobre a capulana e mostrar como é usada nas várias províncias de Moçambique – muitas pessoas pensam que serve apenas como peça de vestuário”. A festa contará ainda com a presença do escritor, jornalista e ex-secretário de Estado da Cultura de Moçambique, Luís Bernardo Honwana. “Ainda estamos a estudar, a ver o que podemos fazer. Ele é tanta coisa: podemos também projectar um filme, Honwana também é argumentista”, afirma Helena Brandão. Afinal, “queremos fazer uma coisa bonita”.
