Da Austrália com o mundo todo
Nasceu na Austrália, está em Macau e canta música do mundo. Miriam Waks tem-se dedicado mais ao jazz, mas no reportório também entra o fado. Em português.
Catarina Brites Soares
Vai ficar em Macau, pelo menos, por seis meses. A jovem artista Miriam Waks canta em várias línguas e diferentes estilos. Nos últimos tempos, os espectáculos têm-se concentrado no jazz, mas assume não gostar de se cingir a um estilo. O seu ponto forte? A versatilidade, vinca ao PONTO FINAL.
“A minha mais-valia é o facto de conseguir cantar em diferentes línguas e estilos.” R&B, indie e soul são alguns dos tipos de música nos quais se sente confortável. Mas foi pelo jazz e espectáculos de cabaret que se apaixonou. Segundo a artista, permitem “falar com o público”, aptidão que considera tão importante como saber cantar. “Perguntam-me sempre que tipo de música canto, o que é um pouco frustrante para um artista. Canto. Se fosse actriz ninguém me perguntaria que tipo de actriz era, pode haver diferentes papéis. É isso que quero fazer como cantora: ter a possibilidade de interpretar estilos diferentes”, defende.
Aos 22 anos não sente vontade ou necessidade de se especializar, e não tem como prioridade ser comercial: “Há uma enorme pressão para escolher um estilo. Para nos introduzirmos no mercado é necessário que nos identifiquem com um tipo de música. Quando se é versátil não sabem bem o que fazer connosco. Não quero estar na indústria da música catalogada”.
A convite da banda Coptic Soldier, também australiana, gravou “The Sound of Wings”, de rap e hip hop. “Há um mundo para descobrir em termos de música, porque é que me deveria limitar?”, questiona.
O português foi uma das línguas que lhe suscitou interesse. E a fadista Mariza a artista que lhe apresentou o fado. “Fui a um espectáculo dela e adorei. Comprei o CD e decidi aprender a cantar em português. Acontece sempre assim, aprendo sozinha, só de ouvido.”
A carreira começou aos dez anos, quando actuou na Ópera de Sydney. A ambição pelo profissionalismo e a falta de apoio à arte na Austrália levaram-na a sair do país. Apesar de reconhecer que a dificuldade em singrar é um problema do mundo, diz que no país onde nasceu é “particularmente difícil”. Também por isso veio para Macau: “Pelo trabalho e experiência”.
Ontem actuou nas sessões de jazz do bar Portofino, acompanhada pelo guitarrista James Muller, também australiano. Mas o palco habitual são as gôndolas do Venetian – onde trabalha durante o dia – e o bar “The View”, no qual actua às quartas, sextas-feiras e domingos. “A minha paixão pela música não é apenas cantar, mas também a possibilidade de contar histórias, comunicar com as pessoas, trocar experiências”, conta.
A audiência que a ouve é “versátil”, mas Miriam Waks sublinha que tem em conta as comunidades quando escolhe o idioma para cantar. “De mim podem esperar diversidade. Aqui também canto fado, além de jazz. Acho que é apropriado. Tendo em conta que estou em Macau, devo fazer alguma coisa em português.”
Antes de vir para o território, a artista que diz ser “uma mistura do mundo” trabalhou dois anos na Índia. A próxima paragem vai ser a Argentina – “para aprender espanhol” -, depois de já ter o próximo CD, agora a solo, gravado.
