Nova ponte até debaixo de água
Está aberto o concurso público para o túnel subaquático e as duas ilhas artificias que farão parte da Ponte do Delta. Alto empresário de Hong Kong propõe comboio anexado à nova construção, Macau fala de autocarros.
A Direcção de Administração da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau abriu o concurso público e internacional para a construção de um túnel subaquático e duas ilhas artificias que lhe estarão anexadas. A notícia, avançada pelo Ou Mun e confirmada ao PONTO FINAL pelo gabinete do secretário para as Obras Públicas e Transportes, adianta que as propostas referentes à infra-estrutura, que terá 6,7 km de extensão, podem ser entregues até 26 de Outubro. A construção deve começar no final do ano.
A questão da utilização da ponte que ligará as regiões do Delta do Rio das Pérolas, com conclusão prevista para 2016, tem sido discutida em Hong Kong nas últimas semanas. Depois dos problemas levantados quanto ao trânsito de viaturas entre o Continente e a RAEHK, que podem resultar numa baixa utilização da estrutura, agora foi a vez de um alto empresário do sector imobiliário na antiga colónia britânica apresentar alternativas: no caso, um sistema de comboio articulado com a construção de mais de 43 mil milhões de dólares de Hong Kong.
Para Walter Kwok Ping-sheung, presidente da Sun Hung Kai Properties citado pelo South China Morning Post, um comboio que acompanhasse toda a extensão da ponte possibilitaria um maior uso da ligação e reduziria o tempo de retorno do investimento de 48 para 19 anos.
O problema da circulação de bens e pessoas ficaria assim parcialmente resolvido, acredita. Até porque, se é especialmente difícil para os veículos de transporte de mercadorias a entrada no Continente, “Macau também vai controlar o número de carros que atravessam a sua fronteira, já que é uma península muito pequena”.
Serviço de autocarro é opção
No território, a questão automóvel deve ser resolvida com a zona A dos novos aterros, que terá cerca de 138 hectares e assegurará a ligação com a ponte. Contactado pelo PONTO FINAL, o porta-voz da Direcção dos Serviços Para os Assuntos de Tráfego (DSAT) garante que “estão a ser estudados diferentes métodos para promover o desenvolvimento sustentável do tráfego transfronteiriço na região”. “Haverá um grande parque de estacionamento [na zona A] e em princípio os veículos que cheguem através da ponte terão de ficar parqueados aí. As pessoas poderão entrar na cidade utilizando outros transportes.”
De acordo com a DSAT, “para fortalecer a relação entre as regiões, está a ser estudado um esquema de serviço de autocarro” permanente que dinamize o fluxo de pessoas. Na ligação da zona A à península, táxi, autocarro e metro ligeiro poderão ainda receber a companhia de veículos mais ecológicos. “Estamos a avaliar a importação de bicicletas e de veículos eléctricos, que possibilitem melhorias no trânsito”, adianta a DSAT.
As infra-estruturas comuns estiveram ontem em foco na 3ª reunião de cooperação ao mais alto nível entre Hong Kong e Macau. O Secretário para a Economia e Finanças de Macau, Francis Tam, e o seu homólogo de Hong Kong, John Tseng Chun-Wah, fizeram um ponto da situação de cooperação em diversas áreas, como migração, turismo, cultura e educação.
