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Energia ecológica

July 28, 2010

Associação de Agnes Lam quer edifícios verdes nos novos aterros e uma gestão de recursos hídricos que olhe para a região. “Fazemos parte de uma família”, diz Joe Tang.

Sónia Nunes

Edifícios com equipamentos ecológicos, um sistema de tratamento de lixo amigo do ambiente e um plano urbano com gente lá dentro. Foram estas as propostas que saíram da mesa redonda sobre o novo plano de aterros organizada pela associação Energia Cívica. Os sócios e simpatizantes do movimento criado pela candidata às eleições legislativas de 2009 Agnes Lam defendem que o debate sobre as futuras zonas deve também ser uma discussão sobre a cidade que já existe.

O ângulo estava fechado à partida. “Da ideia global subjacente ao novo plano de aterros, escolhemos falar de um assunto – a protecção ambiental”, refere Joe Tang, membro da direcção da Energia Cívica. Porquê esta escolha? “É uma grande questão. Em Macau não se presta muita atenção às alterações climáticas, mas nós também devemos assumir responsabilidades”, refere.

Falar de ambiente quando se fala dos novos aterros é, continua o dirigente associativo, assumir uma postura de “educação cívica”. Joe Tang explica porquê: “A água que consumimos é importada da China. Ainda este ano, foi visível o sofrimento das províncias vizinhas durante a época de marés salgadas. Não podemos continuar confortavelmente sentados no sofá e a abrir a torneira como se não fosse nada connosco”. E, numa altura em que a cooperação regional já marcha, “faz sentido que Macau assuma as suas responsabilidades”. Afinal, “fazemos parte de uma família”.

Uma das propostas avançadas no debate da Energia Cívica – que contou com “uma dezena” de participantes – foi a utilização de água do mar nas descargas dos autoclismos. Mas há mais: “Foi também defendida a instalação de painéis solares nos edifícios dos novos aterros e um sistema de recolha e tratamento de lixo mais eficiente”.

A ideia comum aos participantes na mesa redonda é, porém, conceptual. “Falta à cidade o conceito de comunidade. Um plano urbano tem de responder às necessidades da população. Um urbanista tem de se lembrar que há pessoas que vivem na Taipa, fazem compras no Mercado Vermelho e trabalham em Coloane”, observa Joe Tang. Mais do que “uma cidade bonita”, defende, “é preciso uma cidade que pense nas pessoas”. As propostas da Energia Cívica, assegura, estão a caminho do Governo.

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