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Estágios para aprender, não para compensar

July 27, 2010

São 500 as vagas abertas pela DSAL para estágios na China. Estudantes licenciados vão receber mais apoios e Shuen Ka Hung garante que não partem para suprir carência de recursos humanos no Continente.

Catarina Brites Soares

Um estágio de seis meses na China com salário de 5500 patacas é uma das possibilidades nos próximos tempos para os alunos que tenham concluído o ensino superior. As inscrições para as 500 vagas disponibilizadas foram ontem abertas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e, segundo o director do organismo, têm como finalidade a valorização profissional dos candidatos.

“Este plano não é para resolver problemas de desemprego, nem para jovens que pretendem procurar trabalho”, frisa Shuen Ka Hung, acrescentando as razões pelas quais o estágio só é acessível a estudantes já licenciados. “O estágio tem como objectivos o alargamento do que os estudantes sabem e a preparação para o meio laboral. Os alunos têm de acabar o curso, só depois podem concorrer ao plano”, acrescentou.

Na tentativa de deixar claro que este não é um meio para suprir necessidades laborais vizinhas, Shuen Ka Hung reiterou: ”Não é para resolver o problema de falta de pessoas. Com este plano pretendemos colaborar com empresas grandes e internacionais. Os objectivos é que aprendam e alarguem os seus conhecimentos.”

Além do canudo na mão, os candidatos também têm de ser residentes de Macau. De acordo com as explicações do responsável, este plano de estágios vai permitir que os estudantes tenham a oportunidade de experimentar funções em “empresas de grande dimensão e com boa gestão”. “A DSAL não pretende com este plano venha resolver a questão imediata do emprego dos alunos licenciados de Macau”, enfatizou Shuen Ka Hung, acrescentando que a formação tem como finalidade a “qualificação a longo prazo” e o “acompanhamento das políticas do país sobre a preparação de pessoas qualificadas”.

O plano – realizado ao abrigo do esboço da reforma e plano de desenvolvimento para a região do Delta do Rio das Pérolas – sofreu algumas alterações. Na primeira fase programa-se 500 vagas, metade das que foram abertas no ano precedente, e o subsídio será aumentado. Além do auxílio de subsistência e de alojamento, serão incluídos montantes para despesas de comunicação e aquisição de material, passando o subsídio total de 4500 para 5500 patacas mensais.

A duração do estágio também foi reduzida, do máximo de um ano para apenas seis meses. “No entanto, se o estagiário e a empresa estiverem interessados podem prolongar esse prazo, sendo que nessa matéria é dada flexibilidade ao estagiário”, clarificou Shuen Ka Hung.

Além do sector bancário, hotelaria, turismo, saúde e logística, os estudantes vão poder estagiar também no sector de transportes (metro ligeiro e caminho-de-ferro), para, posteriormente, acompanharem a construção do sistema no território.

No ano passado, foram 47 os estudantes que estagiaram em Xangai, Xiamen, Cantão, Dongguan, Zhongshan e Zhuhai, em sectores como a banca, turismo, logística, comércio, entre outros. Segundo a DSAL, dez estagiários concluíram o plano, e oito foram contratados pela respectiva sucursal de Macau da empresa que lhes concedeu o estágio no Continente. Quanto aos restantes, o organismo explicou que alguns desistiram e que outros ainda estão em período de estágio, uma vez que no ano passado o estágio podia chegar até aos 12 meses.

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