Portugal ganhou?
É ingrato escrever esta coluna a poucas horas do começo desse Espanha-Portugal de que, hoje, já todos sabemos o resultado. O olho está no Paraguai-Chile, a cabeça em mil e uma coisas, mas o coração já abalou para a Cidade do Cabo, a bater ao lado dos outros tantos milhões de portugueses que querem a vitória lusa.
Se passámos, agora sim é possível acreditar em tudo, até porque Espanha foi, desde o dia um, uma forte candidata à vitória do torneio. Se perdemos, acabou o sonho sul-africano, aos pés de uma formação forte e vizinha. Como terá sido?
Largamos o tema a que voltaremos amanhã para dizer que Joseph Blatter lá veio, finalmente, dar ouvidos a quem pede o uso mínimo da tecnologia ao serviço da verdade nestas andanças da bola, como damos conta nestas páginas. Ainda este ano haverá novidades sobre medidas frescas para melhorar as arbitragens – esperemos que passem pela introdução dos sensores de baliza ou, na pior das hipóteses, de mais dois assistentes colocados nas extremidades do campo, fórmula já testada em algumas competições.
De resto, o Mundial corre rápido para os jogos derradeiros. Ontem, depois da Holanda ter carimbado, com relativa tranquilidade, a passagem aos quartos-de-final, foi vez do Brasil deixar o Chile pelo caminho. Foi a melhor exibição do ‘Escrete’ na prova, com Robinho e Kaká em belíssimo plano e o central Lúcio a mostrar mais uma vez por que é um dos melhores do mundo.
Luís Fabiano voltou a marcar, Ramires viu um amarelo e não joga com os holandeses mas o que fica é um Brasil coeso, capaz de arregaçar as mangas para, logo de seguida, perfumar o seu jogo com a técnica que abunda em todos os sectores. Juntemos-lhe Júlio César, esse guarda-redes com nome imperial que tão bem lhe assenta, e temos de contar com os homens de Dunga para as contas finais. O próximo teste, com a formação laranja, será provavelmente o mais duro até ao último jogo.
Na partida da qual saiu o próximo adversário de Portugal (ou Espanha), Paraguai e Japão mostram sérias dificuldades para concretizar. Atacou-se muito, especialmente os sul-americanos na segunda parte, mas os golos nunca apareceram. O jogo foi para prolongamento – o segundo nos oitavos, depois do que deu o apuramento ao Gana frente aos EUA – é só nos primeiros penáltis da África do Sul se decidiu quem seguiria em frente.
O Paraguai, já com o benfiquista Oscar Cardozo em campo, acabou por levar a melhor. E foi mesmo o avançado que actua em Portugal a apontar o penálti decisivo e a entrar nos compêndios dos Campeonatos do Mundo.
Os paraguaios mereceram a vitória, mostraram mais ‘ganas’ de vencer. Mas nenhuma das selecções se afigurou suficientemente forte para travar portugueses (ou espanhóis) na caminhada para as meias-finais, onde uns ou outros se cruzarão com o vencedor do grande embate entre Alemanha e Argentina.
As duas grandes potências da América do Sul, Brasil e Argentina, terão nos quartos-de-final o primeiro teste sério às suas capacidades neste campeonato. Alemanha e Portugal (ou Espanha) já terão essa mais-valia consigo nessa fase: a de terem deixado pelo caminho outros tantos candidatos ao ceptro.
Hélder Beja
