O fim da subdirectora e o regresso da técnica
Não foi uma tarefa fácil, mas ficou ontem concluída. A defesa do empresário Pedro Chiang terminou ontem a inquirição a Chan Pou Ha, a subdirectora das Obras Públicas que passou vários dias em tribunal. Ontem, o seu depoimento voltou a ficar marcado por alguma confusão. Mas ainda houve tempo para ouvir uma nova testemunha.
A defesa de Pedro Chiang, assegurada pelos advogados João Miguel Barros e Joana Teixeira, concluiu ontem a inquirição a Chan Pou Ha, a subdirectora das Obras Públicas que, nos vários dias passados em tribunal, prestou um depoimento que ficou marcado por várias contradições e confusões.
De acordo com a Rádio Macau, Chan Pou Ha pronunciou-se ontem sobre dois projectos em que Pedro Chiang esteve envolvido, em relação aos quais, segundo o Ministério Público (MP), o empresário foi favorecido por ter corrompido o ex-secretário Ao Man Long.
A manhã de interrogatório voltou a não ser clara: explica a estação radiofónica que, quando se falava de um projecto de Chiang referente à baixa da Taipa, a testemunha confundiu-se no respeitante aos projectos em análise, confrontada que foi com a questão do cálculo do prémio (aspecto em que o empresário terá sido beneficiado, segundo a acusação). A confusão de Chan Pou Ha levou a que, mais uma vez, a defesa tivesse pedido que fosse concreta nas suas afirmações.
Desta parte da sessão, destaque ainda para o facto de a subdirectora ter afiançado que não se sentiu influenciada pela forma como Ao Man Long redigiu o seu despacho no requerimento de Pedro Chiang. Recorde-se que, a instâncias do MP, Chan disse ter sentido uma pressão gradual provocada pelo modo como o então governante escrevia os seus despachos, sendo que para esta “influência” contribuiu ainda a “pressa” que se exigia ao departamento que, à época, chefiava.
A concluir a sua longa intervenção em tribunal, a análise do projecto de Chiang para a Baía de Pac On. Sobre este caso, Chan Pou Ha admitiu nem sequer lhe ter chegado às mãos: o requerimento do empresário não chegou a sair do departamento de Urbanização.
Ainda de acordo com o noticiado pela Rádio Macau, regressou ontem ao tribunal Wong Wai Wa, uma técnica das Obras Públicas que já em Maio tinha sido questionada sobre obras do engenheiro Chan Lin Ian, outro dos 13 arguidos que respondem neste processo. A nova deslocação prendeu-se desta feita com a inquirição da defesa de Pedro Chiang.
Em análise esteve a proposta do empresário quanto ao silo da Horta e Costa, espaço que pretendia ceder ao Governo tendo, como contrapartida, a concessão de um terreno na rua Francisco Xavier Pereira. A instâncias do MP, recordou a rádio, Wong Wai Wa, responsável pela análise técnica dos lugares de estacionamento, fez referência a duas interpretações possíveis da lei. Ontem, os advogados quiseram saber as razões deste duplo sentido legislativo, com a testemunha a explicar que procurou orientações de colegas seus, dado não perceber português, a língua em que o diploma se encontrava redigido. João Miguel Barros reagiu à justificação, constatando que a interpretação da própria testemunha anda a ser feita há já uma dezena de anos.
Seguiu-se a construção de 17 vivendas junto à Colina da Guia, projecto que acabou por ser chumbado, mas que vale a Pedro Chiang a imputação de mais um crime de corrupção. Neste caso, Wong Wai Wa deu dois pareceres, sendo que fez alterações no segundo, a pedido do seu chefe. Na versão final do seu relatório eliminou os elementos mais subjectivos, sem que tenha havido qualquer indicação sobre o que devia retirar, afiançou. O MP olhou com estranheza para tais alterações, mas a testemunha assegurou que os dados eram os mesmos.
O quinto julgamento no âmbito do mega-caso Ao Man Long continua hoje.
