Chucho Valdés e todos os sons de Cuba
Uma única noite para ouvir aquele que é considerado um dos melhores pianistas de jazz da actualidade. Chucho Valdés vem ao Centro Cultural de Macau na primeira noite do mês de Setembro. Mayra Caridad dá a voz a “Los Pasos de Chucho”.
Chucho Valdés, um dos mais conceituados pianistas de jazz do mundo, vai estar no território para um concerto a realizar-se no dia 1 de Setembro. Para a rentrée musical, o Centro Cultural de Macau promete “a energia e a presença cativantes” de um músico cubano que dispensa apresentações. À RAEM, Valdés traz a sua banda e a cantora Mayra Caridad, para apresentar o seu trabalho discográfico mais recente: “Los Pasos de Chucho”.
Vencedor de sete prémios Grammy (quatro Grammy e três Latin Grammy), Dionisio Jesus “Chucho” Valdés Rodriguez nasceu em 1941, em Havana, Cuba. Começou a aprender música em casa, com dois grandes professores – os seus pais, o conceituado Bebo Valdés e a pianista e cantora Pilar Rodriguez. Com apenas três anos, era capaz de reproduzir, sentado ao piano, as músicas que ouvia na rádio. Dois anos mais tarde, começou a ter aulas e, ainda adolescente, terminou o curso no Conservatório Municipal de Música de Havana.
A estreia no mundo profissional aconteceu com apenas 15 anos, quando formou o seu primeiro trio de jazz, em que tocavam Emilio del Monte e Luís Rodriguez. Os anos que se seguiram foram passados a tocar em hotéis da capital cubana e na orquestra do teatro de Havana.
O pianista alcança reconhecimento internacional em 1970, depois de um concerto em Varsóvia, na Polónia. Os críticos chamaram-lhe “o melhor entre os melhores pianistas de jazz, um revivalista da música latina”. Dotado de um forte sentido rítmico e de uma grande capacidade de improvisação, Chucho Valdés mostrou, desde logo, ser um músico eclético, ao incluir nos seus concertos temas de grandes mestres como Miles Davis, Bud Power e Macoy Tyner.
Em 1972, o pianista e compositor criou o grupo Irakere, onde a tradição da música cubana e os ritmos africanos passaram a conviver com o jazz e alguma erudição. Valdés percorreu o mundo e tocou em mais de 50 países, pisando palcos de renome e participando em reputados festivais, como o Carnegie Hall, o Centro Kennedy e o Festival de Jazz de Montreux, na Suíça. Ao longo da sua enorme vida musical, gravou mais de 50 álbuns.
A irmã de Chucho
Na noite de 1 de Setembro, Chucho Valdés toca em Macau acompanhado pela cantora Mayra Caridad – que, por sinal, é sua irmã. “Quando a vi cantar em França chamei-lhe imediatamente a Ella Fitzgerald cubana”, comentou em entrevista Bebo Valdés, o pai dos dois músicos. O legendário arranjista, compositor e pianista vivia então na Suécia, várias décadas depois de ter deixado o país natal. “Era muito pequenina quando saí de Cuba. Ela nasceu em 1956 e eu parti em 1960. Só a voltei a ver em 1995. Que voz incrível. Não a ensinei, mas o irmão sim. Ela adora-o. E também toca muito bem piano.”
Seguindo o exemplo de Chucho, Mayra Caridad estudou piano, mas em adolescente descobriu que encontrava maior satisfação enquanto cantava. Em casa, começou a ouvir muito jazz: Charlie Parker, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughn e Billie Holiday eram as referências musicais dos irmãos Valdés.
Enquanto que, para Chucho, o pai foi o exemplo musical a seguir, Mayra foi fortemente influenciada pela mãe Pilar, que a incentivou a lutar por uma carreira enquanto solista. Mas o “salto” para o panorama musical internacional só foi dado 1998, quando emprestou a voz a “Yemayá”, ao lado dos Irakere. Em 2001, surgiu finalmente o seu disco como solista – “La Diosa Del Amor” – que mostra os seus diferentes registos, do bebop aos boleros.
Os bilhetes para o concerto de Chucho Valdés estão à venda a partir da próxima sexta-feira.
