Vamos a eles!
1. Para Portugal, o Mundial começa hoje. Para Portugal, o Mundial pode acabar hoje. O famoso ‘mata-mata’ que Scolari trouxe do Brasil para as lides lusitanas está aí, e logo contra a campeã europeia.
Começamos, excepcionalmente, este Caminho do Mundial por o que aí vem e não pelo que aconteceu ontem porque este é, de facto, o dia do tudo ou nada para os seleccionados de Carlos Queiroz. No jogo de logo à noite, o técnico português deve apostar sensivelmente na equipa que bateu a Coreia do Norte na goleada histórica. Simão, Pedro Mendes e Hugo Almeida (ou Liedson) deverão voltar ao onze. A dúvida, talvez a única, está no sector direito da defesa. Miguel esteve melhor que Paulo Ferreira, mas mostra-se pesado e mesmo a jeito da velocidade supersónica de Villa, que actuará encostado à esquerda do ataque espanhol. O mister, que está por lá e poderá aferir sobre quem terá pernas e capacidade mental para enfrentar o mais perigoso jogador da ‘Roja’, com certeza que tomará a decisão que considera acertada.
O adepto, aqui do outro canto do mundo, espera que Portugal assuma o jogo, que não acuse medo de ter bola. A correr atrás da coisa esférica, Espanha é uma selecção menos perigosa e até menos capaz quando é preciso parar as investidas adversárias. Com bola, Xavi, Iniesta e venha o diabo e escolha são do melhor que o futebol global conhece por estes dias.
Foi exactamente isso que disse Luís Aragonés, ex-técnico espanhol que levou a equipa ao título europeu. Aragonés vestiu a pele de detractor de Del Bosque desde o dia um deste torneio sul-africano e está transformado no melhor amigo de Portugal, dizendo que os lusos poderão levar de vencida Espanha, “não com facilidade, mas sim com certa comodidade”. Isto se lhe tirar a bola. Aragonés diz-se pouco optimista e considera que Portugal “tem uma grande selecção” que “na defesa está quase perfeita”. Que tenha razão.
Logo mais, os espanhóis, tão ou mais fanáticos que os portugueses, gritam ‘a por ellos!’. E nós, no nosso português menos exuberante, ripostamos ‘vamos a eles!’. No fim, era bom que pudéssemos usar outra expressão cara ao futebol luso: ‘Até os comemos, de cebolada!’
2. Na madrugada de ontem, mais um erro crasso com influência directa no resultado do Argentina-México – já depois do golo anulado a Lampard horas antes e que aqui dissecámos. É uma pena que, agora que a coisa é a eliminar, os árbitros tenham começado a perder a mão. O erro é humano mas Tevez estava literalmente acampado antes de apontar o 1-0.
A Argentina, que até aí sentia dificuldades e já tinha levado uma bola no ferro, arrancou para uma boa exibição. Ainda assim, o 2-0 foi dado pela defesa mexicana. Higuaín não desperdiçou.
A Albiceleste venceu 3-1 e segue para os quartos, onde encontrará a Alemanha. São duas das selecções mais fortes em prova, num embate que aparece ainda cedo no Mundial e do qual sairá talvez o mais forte candidato à vitória final.
A Holanda, frente a uma Eslováquia que chegou onde podia, venceu com naturalidade. Robben está recuperado e faz a diferença, principalmente ao lado de um grande Sjneider. Brasil ou Chile, que jogaram na madrugada, estarão no caminho da ‘Laranja Mecânica’. Mais um grande jogo em perspectiva.
Hélder Beja
