Pais de Luís Amorim ponderam recorrer à justiça internacional
José Amorim desconfia da justiça de Macau e afirma que está a ponderar recorrer a tribunais internacionais para apurar a verdade sobre a morte do filho, falecido em 2007 em circunstâncias que não se encontram apuradas. Face ao novo relatório de autópsia conhecido na passada semana, entende também que o Ministério Público se verá obrigado a reabrir o caso.
Os pais de Luís Amorim, falecido em Macau a 30 de Setembro de 2007 em circunstâncias que permanecem por apurar, admitem recorrer à justiça internacional para que seja apurada a verdade sobre a causa da morte do filho, que as autoridades de Macau atribuíram a queda da Ponte de Nobre de Carvalho num acto de suicídio.
A tese local, recorde-se, foi contrariada por uma autópsia realizada pelo Instituto de Medicina Legal de Portugal, que se inclina antes para a hipótese de agressão até à morte – ou seja, homicídio – alegando que houve falta de rigor na perícia forense realizada na RAEM e que as lesões encontradas no corpo do jovem não coincidem com um cenário de queda.
Em entrevista à Rádio Macau, no último fim-de-semana, José Amorim voltou a defender a reabertura pelo Ministério Público (MP) do inquérito à morte do jovem, afirmando que poderá haver intervenção de autoridades exteriores à RAEM no caso.
“Estamos a ver a possibilidade de recorrer aos tribunais internacionais, porque mais uma vez desconfiamos da justiça de Macau”, revelou à Rádio. José Amorim disse esperar que, com o recurso à justiça internacional, “o caso não seja pura e simplesmente encoberto mais uma vez, como tem sido aí em Macau”.
O pai do jovem falecido entende também que, face ao novo relatório de autópsia, cujo conteúdo foi divulgado na passada semana pelo jornal Hoje Macau e pela Rádio Macau, não restará ao MP alternativa e este terá de reabrir o processo . “Em termos judiciais, não tenho dúvida nenhuma que tem de o fazer. É uma peça nova, é uma peça importante. É credível. Não pode ser ignorada de maneira nenhuma”, defendeu.
Inqualificável
José Amorim entende também que a Polícia Judiciária (PJ), responsável pela investigação, deve procurar agora corrigir a mão. “Ainda acredito na justiça e acredito que mesmo as corporações têm de ter alguma dignidade e têm de se livrar dos elementos que põem em causa o bom nome das instituições. Tenho esperança que haja uma actuação”, manifesta.
Na entrevista, foram também deixadas várias críticas a responsáveis da Judiciária. “Há uma pessoa que lidou directamente com o processo, o inspector Porfírio Sousa, que foi um elemento inqualificável”, acusa. “Tratou-nos muito mal”.
Outras queixas são apontadas à direcção da PJ. “Recebemos um telefonema do subdirector João Rosa a dizer para termos cuidado com a nossa filha. Como pode imaginar, ficámos preocupadíssimos – fez-nos muito mal”, relatou.
José Amorim entendeu na altura o telefonema “como um aviso”, que o deixou “absolutamente baralhado”. “Se a polícia tinha alguma informação, deveria providenciar alguma informação”, pensou então Amorim, que actualmente entende de forma diferente a mensagem. “Atendendo aos desenvolvimentos, não sei se não terá sido uma ameaça”, pondera.
Os contornos do caso, e a divulgação de um novo relatório forense que contraria as conclusões das autoridades da RAEM, faziam também a primeira página da edição de fim-de-semana do South China Morning Post. “Nova autópsia lança dúvidas sobre morte de adolescente de Macau”, titulava o jornal de Hong Kong. A publicação recordava o facto de a PJ de Macau ter informado a mãe de Luís Amorim de que o jovem havia cometido suicídio apenas algumas horas após o óbito, e antes que se conhecessem os resultados da autópsia realizada pelo médico Bernand Wong, do Centro Hospitalar Conde de São Januário.
