Associação demora a decidir
Há mais de um mês que o Ka I denunciou a possibilidade do Kuan Tai ter actuado com um elemento em situação irregular. As cartas enviadas não têm resposta. A associação da modalidade pôs-se em campo, mas nada divulga. Pode vir a surgir mais um caso no futebol de Macau. A poucos dias do jogo que praticamente decide o título.
Vítor Rebelo
A situação vai-se arrastando, como muitas verificadas no passado e protagonizadas pela Associação de Futebol de Macau. Quando se exige solução rápida, para bem da modalidade.
Isto vem a propósito da questão levantada pelos dirigentes do Ka I, que enviaram há um mês uma carta à Associação, denunciando a possível irregularidade de um jogador do Kuan Tai, natural de Hong Kong.
Os clubes foram informados, antes de começar a temporada, que não podiam inscrever futebolistas que estivessem a actuar em simultâneo noutros campeonatos. Se o fizessem sofreriam sanções, com pontos perdidos.
Pelas contas do Ka I, um dos jogadores da equipa treinada por João Rosa, que é também o principal responsável pelo clube, um elemento de Hong Kong terá actuado nessa irregular condição, na partida em que os dois emblemas se defrontaram.
Curiosamente foi aí que o Ka I desperdiçou os seus dois únicos pontos ao longo deste campeonato, empatando a uma bola logo na jornada inaugural da competição.
Na semana seguinte ao desafio, os responsáveis pelo clube orientado pelo português Rui Cardoso endereçaram uma carta à Associação denunciando a possível irregularidade.
Pelas informações de que o PONTO FINAL dispõe, Cheong Coc Veng e seus pares entraram desde logo em contacto com a Associação de Futebol de Hong Kong, tendo chegado, provavelmente, a alguma conclusão. A partir daí nada mais se soube. E já lá vai um mês.
Saber o que se passa
Sabe-se que os dirigentes do Ka I têm insistido na resolução rápida do caso, a favor ou contra o clube. Mas querem saber o que se passa. A urgência tem a ver com a actual classificação da equipa de Rui Cardoso, numa semana que pode ser praticamente decisiva para a questão do título.
O Ka I, que venceu no fim-de-semana outro dos candidatos ao primeiro lugar, Lam Pak, prepara-se para defrontar, já na próxima sexta-feira, mais um favorito, Monte Carlo.
Para Rui Cardoso, é completamente diferente entrar em campo e saber ao certo que aqueles dois pontos frente ao Kuan Tai foram mesmo perdidos, ou se pelo contrário, a vantagem (na secretaria), coloca o Ka I com quatro pontos de vantagem sobre o Monte Carlo.
Contas de especulação…
Fala-se nos bastidores que a Associação de Futebol de Macau poderá estar a adiar propositadamente a decisão do caso, para não se ver de novo envolvida em mais uma situação polémica.
Ou seja, se o Ka I se tornar entretanto campeão, tudo seria “abafado sem ondas”, evitando a desistência do campeonato, confirmado pelo próprio João Rosa, no caso da equipa perder o jogo na secretaria.
Só que a “batata quente” poderia escaldar ainda mais nas mãos dos responsáveis associativos se, por exemplo, acontecer a vitória do Monte Carlo na próxima sexta-feira face ao Ka I e posteriormente a Associação vier a decidir pela punição do Kuan Tai, devolvendo na secretaria os dois pontos perdidos em campo pelo “onze” de Cardoso. Aí dar-se-ia mais uma enorme polémica, de novo envolvendo o clube de Firmino Mendonça, que naturalmente iria protestar.
Isto são apenas hipóteses, numa altura em que se exige atitude firme e corajosa por parte da Associação de Futebol de Macau, mesmo que tenha de se deparar com o abandono do Kuan Tai.
Kuan Tai na expectativa
As regras são para serem cumpridas, ainda que este regulamento tenha lançado, esta época, muitas dúvidas, porque, como disse João Rosa ao PONTO Final, há algumas semanas “os clubes não conseguem controlar a situação dos jogadores.”
Pelos vistos, o futebolista de Hong Kong terá mentido ao treinador e dirigente do Kuan Tai, tendo posteriormente (após a denúncia do Ka I), confessado que estava inscrito na RAEK. Não mais jogou na formação que ascendeu à I Divisão, na companhia do FC Porto.
Contactado pelo nosso jornal, um dos vogais associativos disse, mais uma vez, que “a questão vai ser resolvida dentro de pouco tempo, depois da habitual reunião semanal da AFM.” Mas a mesma resposta já nos havia sido dada há um mês.
Jogo de cartaz
É neste cenário de indecisão que o Ka I e o Monte Carlo se irão defrontar na sexta-feira às 19 horas, no relvado do estádio da Taipa, naquele que pode muito bem ser o desafio do título, ou quase.
O Ka I parte com dois pontos de vantagem sobre o conjunto de William Long, uma vez que empatou esse tal jogo diante do Kuan Tai, enquanto os “amarelos” cederam duas igualdades (2-2 com Pau Peng e 1-1 face ao FC Porto).
Há por isso maior responsabilidade por parte do Monte Carlo que não pode perder pontos, ao contrário dos pupilos de Rui Cardoso, a quem servirá o empate.
Isto depois do Ka I ter vencido na sexta jornada o campeão Lam Pak por 2-1, com golos de Maximin Wamba e Chan Kin Seng. O Lam Pak marcou através de Iun Chon Fai, já depois de estar em desvantagem por 2-0.
E após o Monte Carlo ter superado o Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública por 2-0, com tentos da autoria dos brasileiros António Teodoro da Silva e Gilberto Meireles Ferreira.
O desafio de sexta-feira promete um razoável espectáculo, com o Ka I a apresentar-se com maior dose de favoritismo, não só porque comanda a classificação, mas pelas exibições mais regulares ao longo do campeonato.
Hipóteses do dragão
À espreita de um empate está o FC Porto, que assim ainda poderá ter uma palavra a dizer na guerra do primeiro lugar. É que o “onze” de Dani totaliza 13 pontos e está por isso a três do líder Ka I e a um do Monte Carlo.
Os azuis e brancos ganharam com dificuldade aos Sub 23 por 4-3, numa partida em que voltaram a ter jogadores expulsos, neste caso Alexandre Torrão e o brasileiro Marcus Vinicius Tavares, conhecido por Tostão.
A equipa portista esteve a perder por 1-0 e estava empatada a duas bolas ao intervalo. Chegou a 4-2 já na segunda parte. Marcaram: Marcus Vinicius, Iuri Capelo e Alison Brito (2). Pelos Sub 23, todos os tentos foram da autoria de Loi Wai Hong.
Luta de permanência
Nos restantes encontros da sexta ronda, faltam portanto três para o final da prova, há a registar a suspensão do jogo Pau Peng-Vá Luen, em virtude das fortes chuvadas. O resultado estava em 0-0.
Quanto ao Hoi Fan-Kuan Tai, houve divisão de pontos com um empate a três. Face a estes resultados, a I Divisão de Macau ganha maior interesse na questão do título, mas também na luta pela sobrevivência. Entre o quinto, Sub 23, e o último, Vá Luen, há apenas uma diferença de seis pontos.
