“Campanha dos abraços teve impacto na comunidade”
A conferência que, no passado sábado, fez o balanço da actividade “Fight the Stigma With a Hug” (Combater o Estigma com um Abraço), organizada pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), juntou mais de 80 pessoas na Universidade de Macau. Luís Carvalhais, coordenador do centro da ARTM, fala de um momento que serviu para fazer o balanço de “uma experiência diferente”, através de uma campanha arrojada e inovadora.
No sábado, “falou-se sobre a actividade em si, como correu, com que impressão ficou cada um dos participantes na iniciativa”. Relembre-se que, a 13 de Março, a ARTM reuniu cerca de 260 pessoas em quatro pontos do território. “A ideia foi abraçar as pessoas, alertar para a discriminação e o estigma que existe” para com as pessoas com o HIV (sigla inglesa do vírus da SIDA). Desfazer mitos, informar a população e sensibilizar foram alguns dos propósitos da iniciativa.
Luís Carvalhais considera que “existe muito estigma, muitas pessoas que não estão bem informadas” sobre a imunodeficiência adquirida. Por exemplo, “sobre o modo como se transmite a outras pessoas” – coisa que não acontece com um abraço, um beijo ou um aperto de mão. Mas, ressalva, “na generalidade houve até uma certa aceitação por parte das pessoas a esta iniciativa”.
Na conferência, marcaram ainda presença o conselheiro regional das Nações Unidas para o HIV/SIDA, Gray Sattler, e Bernhard Schwartländer, coordenador da UNAIDS para a China. “Ficaram impressionados com o modo como organizámos a actividade, porque também mostrámos um pequeno vídeo onde eram visíveis as acções de rua”, refere Carvalhais. O vídeo, que apresenta os momentos mais importantes da iniciativa, serviu também para lançar o debate sobre o que tem sido feito na região para combater a discriminação.
A fechar, o coordenador do centro da ARTM garante que “o objectivo [da campanha dos abraços] foi cumprido”. “As pessoas notaram, algumas acharam um bocado estranho mas ficaram impressionadas. Acho que teve impacto na comunidade de Macau”, congratula-se.
Para o próximo ano, a ARTM não baixará os braços. “Não sei se teremos uma actividade do mesmo género. Mas algo sobre o tema, como temos vindo a fazer, isso faremos de certeza”, promete o coordenador.
Hélder Beja
