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Carências de manutenção e recursos humanos

May 28, 2010

Ao longo de todo o dia, Chui Sai On visitou seis instituições de apoio social da Caritas. Nas conversas com utentes e responsáveis, ficaram patentes as necessidades em termos de instalações e carências de enfermeiros e terapeutas. O Executivo diz que vai colmatar essas pechas.

Paulo Barbosa

Chui Sai On dedicou ontem o dia a visitar seis lares de idosos e centros de reabilitação de pessoas com deficiência da Caritas de Macau. O Chefe do Executivo inteirou-se quanto aos serviços prestados, e ouviu dos responsáveis das instituições queixas quanto à necessidade de melhoria das infra-estruturas e de carência em termos de recursos humanos, especialmente enfermeiros e terapeutas ocupacionais.
No fim da passagem do líder da RAEM pelo Lar São Luís Gonzaga, na Taipa, o director da Administração da Caritas Macau frisou que a instituição já tem uma história de quase seis décadas no apoio social aos habitantes do território e que a iniciativa é uma demonstração da sua preocupação “com as comunidades vulneráveis, nomeadamente as pessoas com deficiência e os idosos”.
As instalações do Lar São Luís Gonzaga foram construídas na década de 1970, e alguns dos 100 homens com deficiência física ou mental que alberga estão a viver no local desde a sua abertura. Questionado pelo PONTO FINAL quanto às principais necessidades da Caritas, Philip Yuen salientou que “um dos mais importantes desafios prende-se com as instalações”, algumas delas já antigas e com problemas estruturais. “A manutenção custa muito à Caritas e ao Governo, dado que algumas das estruturas não foram desenhadas para ir ao encontro das necessidades dos deficientes no dia de hoje. Por exemplo, no Lar São Luís Gonzaga há uma casa de banho colectiva para 24 pessoas, é algo que não é tolerável de acordo com os padrões ocidentais. Queremos criar espaços sanitários mais pequenos, por forma a garantir uma maior privacidade das pessoas”.
A falta de recursos humanos foi outra das queixas ouvidas ontem por Chui Sai On, referiu o responsável pela Caritas: “Não há pessoal suficiente. Há falta de enfermeiros e terapeutas ocupacionais. Temos uma unidade de serviço em que houve falta de terapeutas durante cinco anos.”
Para colmatar o problema, faltará mais formação, que já deu frutos ao nível dos assistentes sociais, “onde o cenário está melhor”. Philip Yuen fala em carências noutras funções, até porque “não há cursos de terapeutas ocupacionais em Macau”, tendo a maioria desses funcionários estudado em Taiwan e até na Austrália ou em Portugal. Outro problema é que, mesmo depois de empregados, é difícil reter este tipo de funcionários, que preferem trabalhar em instituições hospitalares, onde ganham salários mais avultados.
Os funcionários e utentes do Lar São Luís Gonzaga mostraram a Chui Sai On as instalações, com destaque para a nova padaria, que começou a funcionar em Abril e onde é feita terapia ocupacional. O objectivo de montar uma padaria num centro do género “é ajudar a população deficiente a ter uma vida significativa e uma ocupação laboral”, explicou Yuen.
Trabalham na padaria cerca de 15 pessoas e a produção, neste momento, é apenas para consumo interno, mas o responsável afirmou que o projecto está ainda numa fase preliminar e que mais pessoas, algumas vindas de outros centros da Caritas, deverão ser envolvidas na produção de pão e bolinhos. Actualmente, são produzidos cerca de 250 pães por dia naquelas instalações, mas com mais pessoas envolvidas na produção poderá passar a ser produzido pão para as instalações da instituição de beneficência social.

Governo atento

O programa de visita de Chui Sai On terminou no Centro de Santa Lúcia, instituição que recebe pessoas com doenças do foro psicológico e que está implantado num local remoto (Ká Ho) e com algumas insuficiências. No final, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, fez um balanço do dia, referindo que o Governo está atento aos problemas observados e que está prevista a atribuição de mais recursos às instituições que prestam este género de serviços.
O secretário revelou que o Chefe do Executivo deu instruções para, “sempre que seja possível” melhorar as condições dos espaços visitados, mesmo que tal implique a demolição e reconstrução das instalações. Relativamente às queixas de falta de recursos humanos, Cheong U disse que o Executivo irá, de acordo com a realidade, adoptar medidas para colmatar a insuficiência de profissionais do ramo.
O presidente do Instituto de Acção Social, Ip Peng Kin, considerou que esta visita serviu para verificar a degradação em que se encontram as instalações das seis instituições visitadas, adiantando que “irá ajudar nas obras de remodelação e, caso não haja essa possibilidade, será negociada com os responsáveis a forma como se poderá proceder à reconstrução das instalações”.

Elogios à Caritas

De manhã, o Chefe do Executivo esteve no Asilo Santa Maria, e na sessão de troca de opiniões com os responsáveis das Caritas, fez um rasgado elogio à instituição. Chui Sai On considerou que a Caritas “tem servido Macau de forma desinteressada e com altruísmo, com grande volume de trabalho social e humano, colmatando os serviços sociais do governo”. O político considerou que é oportuno para o Governo da RAEM, com 10 anos de existência, rever a prestação de serviços sociais a nível geral. “Na sequência do envelhecimento da população, o governo vai também analisar planos de longo prazo no âmbito da prestação de serviços para idosos, particularmente, estudar a  possibilidade de viverem a velhice nas suas casas”, acrescentou.

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