Caso Luís Amorim permanece arquivado
Com o novo relatório forense realizado em Portugal, que afasta o cenário de queda como causa da morte de Luís Amorim, os pais do jovem querem que se apure a verdade do caso, defendendo a reabertura do inquérito. O Ministério Público não confirma para já ter recebido o documento.
O Ministério Público não confirma ter recebido até aqui qualquer documento, após a divulgação das conclusões de um novo relatório de autópsia realizado em Portugal que afasta a hipótese de queda como causa do óbito do jovem Luís Amorim. O conteúdo do documento foi ontem revelado pela Rádio Macau e jornal Hoje Macau.
A investigação permanece para já arquivada, embora os pais possam sempre requerer a instrução do processo junto do juiz. “Aquilo que sabemos é o que vem hoje no jornal e até agora não recebemos qualquer documento, mas os pais podem requerer a instrução do processo”, disse Lai Kin Ian, chefe do Gabinete do Procurador, que se escusou a “comentar opiniões” dos legistas portugueses e garantiu que o Ministério Público “actua dentro da lei” e que “já não se pode fazer nada”.
Quase três anos depois da morte de Luís Amorim – que apareceu morto na marginal de Macau na madrugada de 30 de Setembro de 2007 – são conhecidos alguns detalhes de uma nova autópsia feita ao corpo do jovem pelas autoridades forenses em Portugal que colocam em causa a tese de suicídio sempre defendida pelas autoridades da RAEM.
Para os legistas portugueses, as lesões que o corpo apresenta “denotam haverem sido produzidas por instrumento ou instrumentos de natureza contundente ou perfuro-contundente” e, apesar de não ser possível estabelecer “só pelos elementos autópticos um diagnóstico diferencial seguro entre homicídio, suicídio ou acidente”, os elementos observados são “mais favoráveis à primeira” possibilidade.
Além de contrariarem a tese do suicídio, os legistas portugueses colocam também em causa a primeira análise ao corpo, já que existem diferentes conclusões.
Na autópsia de Macau, os legistas diziam existir “fracturas dos ossos malares bilaterais”, algo que a análise directa ao esqueleto não revela e que leva a que existam “fortes dúvidas quanto ao rigor do relatório da primeira autópsia”, segundo publicou o Hoje Macau.
Para os médicos portugueses “uma queda vertical de uma altura entre 12 e 16 metros, com a energia e com a velocidade com que o corpo atingiria ao bater no solo, provocaria muitos mais danos do que aqueles que foram verificados” no corpo de Luís Amorim até porque “por não se terem verificado as fracturas típicas de queda vertical, a hipóteses da queda da ponte, parece ficar excluída”.
Dos cenários possíveis de um impacto no solo após queda da ponte, nenhum se terá verificado perante as lesões apresentadas, o que leva os legistas a concluírem que “o padrão de fracturas é mais consistente com múltiplos traumatismos directos repetidos sobretudo ao nível craniofacial mas também na coxa direita”, um cenário que configura agressão até à morte.
Perante o novo relatório, os pais de Luís Amorim retomam as críticas às autoridades que investigaram o caso – Polícia de Segurança Pública e Polícia Judiciária -, ao médico legista e ao Ministério Público e exigem a reabertura do inquérito. “Vão deixar que os culpados de tão hediondo crime continuem a circular impunemente em Macau, continuem a manipular e a condicionar as instituições?”, questionam.
Pedro Redinha, advogado da família, explicou à Lusa que está a estudar o caso à luz dos novos elementos de forma a “decidir com os pais” de Luís Amorim os próximos passos a dar na Justiça de Macau.
