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O prometido é devido

May 4, 2010

O grupo que dinamizou a lista Voz Plural está em fase de constituição de uma associação. Ainda antes da formalização, o grupo promete responder àqueles que o acusam de estar apenas a “queimar panchões”, depois de ter prometido uma actividade cívica regular.  Nos próximos dias, será lançado um boletim informativo. A publicação estará disponível na Internet e deverá ter uma periodicidade mensal.

Paulo Barbosa

“Dentro de uma ou duas semanas, vamos pagar o cheque”, disse na passada quinta-feira Casimiro Pinto ao PONTO FINAL. A prometida continuidade da actividade cívica da Voz Plural irá, para já, consubstanciar-se no lançamento de um boletim informativo electrónico. A primeira edição desta ‘newsletter’ de periodicidade mensal já está pronta, faltando apenas uma revisão final para que seja feita uma divulgação pública. Os conteúdos estarão relacionados “com as questões mais quentes de Macau, sobre a sociedade e as políticas”, revelou o macaense, que foi cabeça de lista da Voz Plural nas eleições para a Assembleia Legislativa do passado Setembro.
A publicação virtual será trilingue, com textos em chinês, português e inglês, embora esta última versão possa ser lançada “um pouco mais tarde, devido a questões de tradução”. As publicações em cada língua terão a particularidade de não serem exactamente idênticas: “As versões poderão envolver conteúdos diferentes, não se limitando à tradução integral dos textos. Estivemos a discutir essa questão e concluímos que, às vezes, o tema que será mais interessante para a comunidade portuguesa ou macaense pode não ser aquele que mais interessa para a comunidade chinesa”, explicou Casimiro Pinto. Sem orçamento para publicar um jornal impresso, a Voz Plural irá “aproveitar as novas tecnologias e fazer todo o possível para tentar fazer chegar o boletim aos órgãos de comunicação social”.
O boletim deverá ser lançado antes mesmo da formalização da associação que dará continuidade à lista Voz Plural, cuja designação dada pelos proponentes é Força Plural. Nome que ainda não está oficialmente consignado, faltando a confirmação por parte das autoridades competentes.

Custa arrancar

Textos publicados na imprensa local dão conta de divisões internas quanto à orientação que a associação deve ter. Num artigo de opinião divulgado ontem, o jornalista Gilberto Lopes referia que, de um lado estarão os que querem que o projecto “seja, essencialmente, um movimento da comunidade local de ascendência portuguesa, vulgo macaenses; do outro, os que acham que chegou o momento de largar a sua dimensão, à semelhança, aliás, do que foi a génese da Voz Plural”.
Casimiro Pinto admite que “levou de facto algum tempo para preparar alguma coisa no sentido da continuidade da Voz Plural” e que houve “alguns problemas” nas formalidades da constituição da associação. “Nos primeiros tempos, estivemos bastante tempo a pensar nos objectivos e constituição da associação, o que atrasou o nosso trabalho. Chegou a altura em que achámos que tínhamos que arranjar alguém que tratasse das formalidades. Algumas pessoas da Voz Plural organizaram-se em grupos de trabalho e estão a dedicar-se à análise dos assuntos políticos. Temos ouvido opiniões e até críticos que dizem que a Força Plural é um queimar de panchões”, disse o macaense.
Casimiro Pinto reafirma que a Voz Plural pretende estudar os problemas de Macau e fazer propostas, mas não quer “antecipar e precipitar” o seu trabalho. “Somos muito novos e não temos nenhuma experiência em termos políticos. Queremos que o trabalho seja bem feito, não se trata de dizer que existimos e avançar com uma coisa qualquer. Custa sempre dar o primeiro passo, mas acho que a Força Plural não vai desaparecer de Macau. Depois da máquina começar a trabalhar, tudo será mais fácil”, justifica aquele que foi o principal dinamizador da lista Voz Plural.
Para além do boletim informativo, outra das actividades que a Força Plural está a planear consiste na colocação ‘online’ de vídeos com depoimentos sobre questões locais, dados por “personalidades conhecidas de Macau”, que serão convidadas para o efeito.

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